quinta-feira, 5 de novembro de 2009

HOJE NÃO...

"Amontoam-se palavras soltas
no espaço infinito das folhas do meu caderno,
pairo na dormência da inspiração.
Lanço ao ar os dados deste jogo que me impus
e espero que as suas pintas
me ditem devaneios ao ouvido.
Contemplo a Lua estranhamente calada
e no brilho das estrelas que riscam o céu
procuro uma centelha de imaginação.
Vasculho na nostalgia da noite escura
uma ideia mais audaz,
que me permita soltar os desejos
e entregar à caneta,
os momentos que fervilham
no quarto escondido das minhas loucuras.
Atraso o relógio, acrescendo dias que não existem
ao calendário das minhas fantasias,
e sento-me, na indecisão de permitir
que o tempo escreva a minha história,
com as memórias que ainda não vivi.
Sem a bússola que me orienta o discernimento,
enleiam-se o passado, o presente e o futuro,
entrelaçam-se nas minhas mãos perdidas e sem norte,
os dedos paralisam na apatia deste momento
devoluto de sonhos.
Sinto-me ausente de mim...
hoje não escrevo..."
(Autor Desconhecido)

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