segunda-feira, 9 de novembro de 2009

NATUREZA

"Quando entro numa floresta, ajoelho-me,
porque ela é a mais antiga das igrejas,
aquela em que o primeiro homem ergueu ao céu
a sua primeira prece: saudação à natureza!
Não há sacerdotes nesta igreja, nem velas no seu altar,
nem fumos de incenso, que saiam dos turíbulos de prata!
Há uma multidão silenciosa,
que estende os braços robustos para o alto...
E, sobre aqueles braços, uma multidão de mãos,
se abrem para implorar a vida ao sol, que tudo cria.
A natureza mais sábia, soube na floresta preparar
bálsamos diversos, para todos os males da alma.
Porque todas aquelas folhas verdes e sussurrantes ao vento,
dizem a sua prece no murmúrio misterioso
duma língua sem palavras, tudo reza: rezam as folhas,
e com elas os insetos da terra nos ramos entre a cortiça!
Eu me encontro como uma criança, num berço
onde a vida germina e cresce, lenta, esperançosa,
apontando a natureza futurecida!
Nasce-se e morre-se a cada hora, a cada minuto
naquele berço esmeraldino e fresco..."
(Efigênia Coutinho)

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