"Sem medo, sabe?
não sabe ainda, mas um dia vai saber.
O medo fica ali petrificado
pra quem não olha fixo pra ele,
pra quem não consegue chegar perto
pra entender suas formas, suas cores.
Ele é enquanto desconhecido;
ele está, e depois voa, quando olhado no olho.
O olho verde do medo, tão verde que dói.
É igual à mariposa-monstro
estava na porta do armário.
Ficou lá enquanto eu fechava a porta do quarto
e deixava ela dormir sozinha -
eu dormindo no quarto ao lado.
Ficou lá.
Um dia, dois dias, três, quatro, quatro e meio.
Sem se mexer, sem piscar.
Até que eu finalmente cheguei perto.
Olhei bem a mariposa-monstro e seus olhos tão verdes,
e ela nem era mais monstro.
Era uma pequena fada preta
que tinha pousado ali pra me ensinar alguma coisa.
Foi quando ela sorriu, eu acho.
E foi embora, de uma voada só..."
terça-feira, 16 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
CAMINHOS SEM VOLTA...
Dizem que antes de um rio cair no oceano,
ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada:
os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso através das florestas,
através dos povoados,
e vê à sua frente um oceano tão vasto
que entrar nele nada mais é
do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira:
o rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano
é que o medo desaparece,
porque apenas então o rio saberá
que não se trata de desaparecer no oceano.
Mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento
e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Renascendo a cada dia,
Tornando-se um Oceano..."
ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada:
os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso através das florestas,
através dos povoados,
e vê à sua frente um oceano tão vasto
que entrar nele nada mais é
do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira:
o rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano
é que o medo desaparece,
porque apenas então o rio saberá
que não se trata de desaparecer no oceano.
Mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento
e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Renascendo a cada dia,
Tornando-se um Oceano..."
AFAGOS...
"Alguns escrevem pela arte,
pela linguagem, pela literatura...
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha de encontrar
um jeito de alongar os braços.
E estreitar distâncias.
E encontrar os pássaros:
há muitas distâncias em mim
(e uma enorme timidez).
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los,
com todo cuidado, embaixo das portas..."
pela linguagem, pela literatura...
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha de encontrar
um jeito de alongar os braços.
E estreitar distâncias.
E encontrar os pássaros:
há muitas distâncias em mim
(e uma enorme timidez).
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los,
com todo cuidado, embaixo das portas..."
terça-feira, 9 de setembro de 2008
SONHOS MEUS
Beijo a face de teus sonhos
Sonhos não vividos
Desfaço teus vazios carentes
Rasgo o véu da distância
Levo para ti o vôo da esperança
Atravesso o infinito
Nas asas do amor
Meus desejos contidos
Encontrando os teus...
Não sei se vou ou se fico
Não sei se abandono ou edifico
Angústias da indecisão
Realidade
Ilusão
Começo ou fim
Incerteza do não
Incerteza do sim
Os dias passam...
te prenderás à terra
Ou escalarás tua ascenção
Não queiras recusar
Nem recuar
Sintas...
É o sopro que circula
E eclode em plena luz
Ele te fará ungido
E no amor redimido
Tudo que era êfemero se desfaz
E da omissão...sairás !
Sairás sim!
(Markos André)
Sonhos não vividos
Desfaço teus vazios carentes
Rasgo o véu da distância
Levo para ti o vôo da esperança
Atravesso o infinito
Nas asas do amor
Meus desejos contidos
Encontrando os teus...
Não sei se vou ou se fico
Não sei se abandono ou edifico
Angústias da indecisão
Realidade
Ilusão
Começo ou fim
Incerteza do não
Incerteza do sim
Os dias passam...
te prenderás à terra
Ou escalarás tua ascenção
Não queiras recusar
Nem recuar
Sintas...
É o sopro que circula
E eclode em plena luz
Ele te fará ungido
E no amor redimido
Tudo que era êfemero se desfaz
E da omissão...sairás !
Sairás sim!
(Markos André)
RECEITA PARA DIAS CHUVOSOS...
"Ao despertar,
volte seu olhar para seu coração
e procure nele os rostos de seus amigos.
Sinta um sorriso gostoso
iluminando o seu próprio rosto
e um calorzinho agradável
percorrer seu corpo, como num abraço...
Memorize esses rostos conhecidos
e queridos olhando pra vc ,carinhosamente.
Só então pule da cama e enfrente o dia, lá fora.
Vc verá que mesmo se a paisagem estiver cinzenta,
um sol dourado e quentinho iluminará seu dia
e vc estará feliz e bem disposto.
O Amor tem uma luz que nem a chuva consegue esconder.
Eu sou apenas um dos inúmeros raios do seu sol interior.
E isso me faz feliz,
por que também reconheço vc no meu,
todas as manhãs!"
(Denise Rangel)
volte seu olhar para seu coração
e procure nele os rostos de seus amigos.
Sinta um sorriso gostoso
iluminando o seu próprio rosto
e um calorzinho agradável
percorrer seu corpo, como num abraço...
Memorize esses rostos conhecidos
e queridos olhando pra vc ,carinhosamente.
Só então pule da cama e enfrente o dia, lá fora.
Vc verá que mesmo se a paisagem estiver cinzenta,
um sol dourado e quentinho iluminará seu dia
e vc estará feliz e bem disposto.
O Amor tem uma luz que nem a chuva consegue esconder.
Eu sou apenas um dos inúmeros raios do seu sol interior.
E isso me faz feliz,
por que também reconheço vc no meu,
todas as manhãs!"
(Denise Rangel)
SE ALGUÉM PERGUNTAR...
"Se alguém perguntar quem sou,
diga que sou seu amigo, que fala de amor,
que fala do vento e se esquece do tempo...
Se alguém perguntar onde vivo,
diga que vivo no coração
daqueles que conhecem o amor...
Se alguém perguntar por onde eu ando,
diga que ando pela noite e que nela me aqueço...
Se alguém perguntar onde estou,
diga que estou em cada palavra,
cada lágrima e também no sorriso...
Se alguém perguntar se eu amo,
diga que sou a pessoa mais apaixonada do mundo...
Se alguém perguntar onde está a minha voz,
diga que minha voz grita
em nome daqueles que não são ouvidos.
Se alguém perguntar meu nome,
diga para me chamar de “meu amigo”...
E se alguém perguntar quem eu sou,
diga que sou apenas alguém que ama a vida...
e que ama muito os seus amigos ..."
diga que sou seu amigo, que fala de amor,
que fala do vento e se esquece do tempo...
Se alguém perguntar onde vivo,
diga que vivo no coração
daqueles que conhecem o amor...
Se alguém perguntar por onde eu ando,
diga que ando pela noite e que nela me aqueço...
Se alguém perguntar onde estou,
diga que estou em cada palavra,
cada lágrima e também no sorriso...
Se alguém perguntar se eu amo,
diga que sou a pessoa mais apaixonada do mundo...
Se alguém perguntar onde está a minha voz,
diga que minha voz grita
em nome daqueles que não são ouvidos.
Se alguém perguntar meu nome,
diga para me chamar de “meu amigo”...
E se alguém perguntar quem eu sou,
diga que sou apenas alguém que ama a vida...
e que ama muito os seus amigos ..."
domingo, 24 de agosto de 2008
QUEM SOU EU:
As vezes paro e penso,
e vejo tudo ao meu redor,
vendo tudo o que passou,
e o tempo que não volta mais...
Sinto o meu presente, distante do que sinto,
vivendo neste instinto do amor e desamor.
Admiro o futuro, com suas ilusões e esperanças,
remoendo a cada dia,
aquilo que chamamos de lembrança.
Chega de mentira e de viver na imprudência,
em achar que a aparência vale mais do que o amor...
Sempre me pergunto: Quem sou eu? e quem serei?
Ai! pergunta sem resposta.
Pois já dizia o filosofo: "Só sei que nada sei".
(Luan Pereira)
e vejo tudo ao meu redor,
vendo tudo o que passou,
e o tempo que não volta mais...
Sinto o meu presente, distante do que sinto,
vivendo neste instinto do amor e desamor.
Admiro o futuro, com suas ilusões e esperanças,
remoendo a cada dia,
aquilo que chamamos de lembrança.
Chega de mentira e de viver na imprudência,
em achar que a aparência vale mais do que o amor...
Sempre me pergunto: Quem sou eu? e quem serei?
Ai! pergunta sem resposta.
Pois já dizia o filosofo: "Só sei que nada sei".
(Luan Pereira)
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
ALMAS PERFUMADAS
"Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda. De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda...
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher...
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende a ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem
e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa
e trocando o salto pelo chinelo...
Sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril,
mas parece manhã de Natal
do tempo em que a gente acordava
e encontrava o presente do Papai Noel...
Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza...
Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos...
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração...
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que as gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim...
Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e que a atração que realmente
nos move não passa só pelo corpo...
Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos
Deus está dançando conosco de rostinho colado...
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Costumo dizer que algumas almas são perfumadas,
porque acredito que os sentimentos também têm cheiro
e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia.
Minha avó era alguém assim.
Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores.
A minha, foi uma delas.
E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado,
que ela mudou de frasco,
mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou..."
(Ana Claudia Saldanha Jácomo)
De sol quando acorda. De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda...
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher...
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende a ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem
e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa
e trocando o salto pelo chinelo...
Sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril,
mas parece manhã de Natal
do tempo em que a gente acordava
e encontrava o presente do Papai Noel...
Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza...
Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos...
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração...
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que as gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim...
Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e que a atração que realmente
nos move não passa só pelo corpo...
Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos
Deus está dançando conosco de rostinho colado...
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Costumo dizer que algumas almas são perfumadas,
porque acredito que os sentimentos também têm cheiro
e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia.
Minha avó era alguém assim.
Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores.
A minha, foi uma delas.
E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado,
que ela mudou de frasco,
mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou..."
(Ana Claudia Saldanha Jácomo)
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
A INCERTEZA DA ALMA...
"A incerteza cai com a tarde no limite da praia.
Um pássaro apanhou-a, como se fosse um peixe,
e sobrevoa as dunas levando-a no bico.
O seu desenho é nítido,
mas sombras da dúvida
ou as manchas indecisas da angústia.
Termina com a interrogação, os traços do fim,
o recorte branco de ondas na maré baixa.
Subo a estrofe até apanhar esse pássaro com o verso,
prendo-o à frase, para que as suas asas
deixem de bater e o bico se abra.
Então, a incerteza cai-me na página,
e arrasta-se pelo poema,
até me escorrer pelos dedos
para dentro da própria alma..."
(Nuno Júdice)
Um pássaro apanhou-a, como se fosse um peixe,
e sobrevoa as dunas levando-a no bico.
O seu desenho é nítido,
mas sombras da dúvida
ou as manchas indecisas da angústia.
Termina com a interrogação, os traços do fim,
o recorte branco de ondas na maré baixa.
Subo a estrofe até apanhar esse pássaro com o verso,
prendo-o à frase, para que as suas asas
deixem de bater e o bico se abra.
Então, a incerteza cai-me na página,
e arrasta-se pelo poema,
até me escorrer pelos dedos
para dentro da própria alma..."
(Nuno Júdice)
FOTOGRAFIAS...
"Eis-me acordado
Com o pouco que me sobejou da juventude nas mãos
Estas fotografias onde cruzei os dias sem me deter
E por detrás de cada máscara desperta
A morte de quem partiu e se mantém vivo...
A luz secou na orla desértica da cidade
Escrevo para sobreviver
Como quem necessita de partilhar um segredo...
Este corpo em que me escondi... gastou-se...
Quantas noites permanecerão intactas no fundo do mar?
O rosto ainda jovem
Foi o tesouro de seivas que me entonteceu
Pelo corpo condeno-me à vida
De susto em susto à inutilidade da escrita...
Mas eis-me acordado
Muito tempo depois de mim
Esperando por alguma fulguração do corpo esquecido
À porta do meu próprio inferno..."
(Al Berto)
Com o pouco que me sobejou da juventude nas mãos
Estas fotografias onde cruzei os dias sem me deter
E por detrás de cada máscara desperta
A morte de quem partiu e se mantém vivo...
A luz secou na orla desértica da cidade
Escrevo para sobreviver
Como quem necessita de partilhar um segredo...
Este corpo em que me escondi... gastou-se...
Quantas noites permanecerão intactas no fundo do mar?
O rosto ainda jovem
Foi o tesouro de seivas que me entonteceu
Pelo corpo condeno-me à vida
De susto em susto à inutilidade da escrita...
Mas eis-me acordado
Muito tempo depois de mim
Esperando por alguma fulguração do corpo esquecido
À porta do meu próprio inferno..."
(Al Berto)
A AUSÊNCIA
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim..."
(Carlos Drummond de Andrade)
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim..."
(Carlos Drummond de Andrade)
SOU UM ESTRANGEIRO...
"Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro
uma solidão pesada e um isolamento doloroso.
Sou assim levado a pensar
sempre numa pátria encantada que não conheço,
e a sonhar com os sortilégios
de uma terra longínqua que nunca visitei.
Sou um estrangeiro para minha alma.
Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz.
Quando meu Eu interior ri ou chora,
ou se entusiasma, ou treme,
meu outro Eu estranha o que ouve e vê,
e minha alma interroga minha alma.
Mas permaneço desconhecido e oculto,
velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.
Sou um estrangeiro para o meu corpo.
Todas as vezes que me olho num espelho,
vejo no meu rosto algo que minha alma não sente,
e percebo nos meus olhos
algo que minhas profundezas não reconhecem.
Sou um estrangeiro neste mundo.
Se sair à luz,
a sombra de meu corpo me segue,
e as sombras de minha alma me precedem,
levando-me aonde não sei,
oferecendo-me coisas de que não preciso,
procurando algo que não entendo.
Idéias estranhas atormentam minha mente,
e inclinações diversas,
perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis.
À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos.
E almas de nações esquecidas me fitam.
Interrogo-as, recebendo por toda resposta um sorriso.
Quando procuro segurá-las,
fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.
Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro e não há no mundo quem conheça
uma única palavra do idioma de minha alma...
Permanecerei um estrangeiro
até que a morte me rapte e me leve para minha pátria..."
(Kahlil Gibran)
Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro
uma solidão pesada e um isolamento doloroso.
Sou assim levado a pensar
sempre numa pátria encantada que não conheço,
e a sonhar com os sortilégios
de uma terra longínqua que nunca visitei.
Sou um estrangeiro para minha alma.
Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz.
Quando meu Eu interior ri ou chora,
ou se entusiasma, ou treme,
meu outro Eu estranha o que ouve e vê,
e minha alma interroga minha alma.
Mas permaneço desconhecido e oculto,
velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.
Sou um estrangeiro para o meu corpo.
Todas as vezes que me olho num espelho,
vejo no meu rosto algo que minha alma não sente,
e percebo nos meus olhos
algo que minhas profundezas não reconhecem.
Sou um estrangeiro neste mundo.
Se sair à luz,
a sombra de meu corpo me segue,
e as sombras de minha alma me precedem,
levando-me aonde não sei,
oferecendo-me coisas de que não preciso,
procurando algo que não entendo.
Idéias estranhas atormentam minha mente,
e inclinações diversas,
perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis.
À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos.
E almas de nações esquecidas me fitam.
Interrogo-as, recebendo por toda resposta um sorriso.
Quando procuro segurá-las,
fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.
Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro e não há no mundo quem conheça
uma única palavra do idioma de minha alma...
Permanecerei um estrangeiro
até que a morte me rapte e me leve para minha pátria..."
(Kahlil Gibran)
VIVA O INSTANTE...
"Vive o instante que passa.
Vive-o intensamente até à última gota de sangue.
É um instante banal, nada há nele
que o distinga de mil outros instantes vividos.
E no entanto ele é o único por ser irrepetível
e isso o distingue de qualquer outro.
Por que nunca mais ele será o mesmo
nem tu que o estás vivendo.
Absorve-o todo em ti, impregna-te dele
e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti.
Olha o sol difícil entre as nuvens,
respira à profundidade de ti, ouve o vento.
Escuta as vozes longínquas de crianças,
o ruído de um motor que passa na estrada,
o silêncio que isso envolve e que fica.
E pensa-te a ti que disso te apercebes,
sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí.
E que nada se perca infinitesimalmente
no mundo que vives e na pessoa que és.
Assim o dom estúpido e miraculoso da vida
não será a estupidez maior
de o não teres cumprido integralmente,
de o teres desperdiçado numa vida que terá fim..."
(Vergílio Ferreira)
Vive-o intensamente até à última gota de sangue.
É um instante banal, nada há nele
que o distinga de mil outros instantes vividos.
E no entanto ele é o único por ser irrepetível
e isso o distingue de qualquer outro.
Por que nunca mais ele será o mesmo
nem tu que o estás vivendo.
Absorve-o todo em ti, impregna-te dele
e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti.
Olha o sol difícil entre as nuvens,
respira à profundidade de ti, ouve o vento.
Escuta as vozes longínquas de crianças,
o ruído de um motor que passa na estrada,
o silêncio que isso envolve e que fica.
E pensa-te a ti que disso te apercebes,
sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí.
E que nada se perca infinitesimalmente
no mundo que vives e na pessoa que és.
Assim o dom estúpido e miraculoso da vida
não será a estupidez maior
de o não teres cumprido integralmente,
de o teres desperdiçado numa vida que terá fim..."
(Vergílio Ferreira)
ONDE É QUE EU GUARDO O TEMPO?
"Onde é que guardo o tempo?
Posso agora dizer-vos que é dentro dos olhos.
Mesmo que se conservem assim límpidos
acabam por pousar neles algumas folhas.
Procuro depois que seja mais fácil
este caminho onde se encontram
os vestígios dos meus passos,
de qualquer encontro, de um gesto ainda furtivo.
Quantas sombras existem aí e me pertencem?
Sei que o repouso é menos que uma palavra.
Talvez chegue nas mesmas ondas
que julgávamos estar há muito esquecidas,
a neblina parece ser um arco onde se reúneo
que ficou abandonado para sempre.
É assim que começo a medir o tempo.
Alguns instantes reservo-os para a profundidadeda água;
outros para o modo como as minhas mãos estremecem..."
(Fernando Guimarães)
Posso agora dizer-vos que é dentro dos olhos.
Mesmo que se conservem assim límpidos
acabam por pousar neles algumas folhas.
Procuro depois que seja mais fácil
este caminho onde se encontram
os vestígios dos meus passos,
de qualquer encontro, de um gesto ainda furtivo.
Quantas sombras existem aí e me pertencem?
Sei que o repouso é menos que uma palavra.
Talvez chegue nas mesmas ondas
que julgávamos estar há muito esquecidas,
a neblina parece ser um arco onde se reúneo
que ficou abandonado para sempre.
É assim que começo a medir o tempo.
Alguns instantes reservo-os para a profundidadeda água;
outros para o modo como as minhas mãos estremecem..."
(Fernando Guimarães)
PARA OS QUE VIRÃO
"Como sei pouco e sou pouco,
Faço o pouco que me cabe
Me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
O homem que eu quero ser.
Já sofri o suficiente
Para não enganar a ninguém:
Principalmente aos que sofrem
Na própria vida, a garra da opressão, e nem sabem.
Não, não tenho o sol escondido no meu.
Bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
Para quem já a primeira
E desolada pessoa
Do singular – foi deixando,
Devagar, sofridamente
De ser, para tranformar-se
Muito mais sofridamente
Na primeira e profunda pessoa do plural.
Não importa que doa: é tempo
De avançar de mãos dadas
Com quem vai no mesmo rumo,
Mesmo que longe ainda esteja
De aprender a conjugar
O verbo amar.
É tempo sobretudo
De deixar de ser apenas
A solitária vanguarda
De nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(dura no peito,
arde a límpida verdade de nossos erros)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
E saber serão, lutando."
(Thiago de Mello)
Faço o pouco que me cabe
Me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
O homem que eu quero ser.
Já sofri o suficiente
Para não enganar a ninguém:
Principalmente aos que sofrem
Na própria vida, a garra da opressão, e nem sabem.
Não, não tenho o sol escondido no meu.
Bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
Para quem já a primeira
E desolada pessoa
Do singular – foi deixando,
Devagar, sofridamente
De ser, para tranformar-se
Muito mais sofridamente
Na primeira e profunda pessoa do plural.
Não importa que doa: é tempo
De avançar de mãos dadas
Com quem vai no mesmo rumo,
Mesmo que longe ainda esteja
De aprender a conjugar
O verbo amar.
É tempo sobretudo
De deixar de ser apenas
A solitária vanguarda
De nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(dura no peito,
arde a límpida verdade de nossos erros)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
E saber serão, lutando."
(Thiago de Mello)
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