Desfolho página por página,
até chegar aquele capitulo que tanto anseio…
Aquele em que vejo que a história começa a fazer sentido…
E no meio de mil e uma palavras,
encontro a tal, aquela que me deixa delirante…
com os meus sentidos apurados e livres de preconceitos…
Sublinho todo o parágrafo que tenha a sua essência,
porque é dela que vou extrair o veneno que me corrói,
todo o veneno que preciso beber para me tornar imune…
Enquanto leio, passo por ti
e percebo o quanto me és importante,
o quanto a tua personagem
me deleita neste mundo em que vivo,
neste mundo irreal,
neste mundo que não é o meu…
Há muito que me digo que nada poderá ser eterno,
mas chegas tu e provas o contrário!
Por isso deixa-me hoje ficar assim…
Preso neste capitulo…
Onde meu rosto está encostado ao teu,
meu corpo em teus braços
e meu amor junto do teu amor…
sábado, 12 de setembro de 2009
VIVER AOS POUCOS...
"Viver é um ato que não premeditei.
Brotei das trevas.
Eu só sou válida para mim mesma.
Tenho que viver aos poucos,
não dá para viver tudo de uma vez.
Nos braços de alguém eu morro toda.
Eu me transfiguro em energia
Que tem dentro dela o atômico nuclear.
Sou o resultado de ter ouvido
Uma voz quente no passsado
E de ter descido do trem
Quase antes dele parar
- A pressa é inimiga da perfeição
E foi assim que corri para a cidade
Perdendo logo a estação
E a nova partida do trem
E seu momento privilegiado
Que desperta espanto tão dolorido
Que é o apito do trem,
Que é adeus..."
(Clarice Lispector)
Brotei das trevas.
Eu só sou válida para mim mesma.
Tenho que viver aos poucos,
não dá para viver tudo de uma vez.
Nos braços de alguém eu morro toda.
Eu me transfiguro em energia
Que tem dentro dela o atômico nuclear.
Sou o resultado de ter ouvido
Uma voz quente no passsado
E de ter descido do trem
Quase antes dele parar
- A pressa é inimiga da perfeição
E foi assim que corri para a cidade
Perdendo logo a estação
E a nova partida do trem
E seu momento privilegiado
Que desperta espanto tão dolorido
Que é o apito do trem,
Que é adeus..."
(Clarice Lispector)
MAIS UMA CARTA DE AMOR...
"Em quem pensar, agora, senão em ti?
Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,
e trouxeste a manhã da minha noite.
É verdade que te podia dizer:
"Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem,
sermos o que sempre fomos,
mudarmos apenas dentro de nós próprios?"
Mas ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.
Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,
ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
mesmo esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri
o sentido de irmos contra o tempo,
para ganhar o tempo que o tempo nos rouba.
Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti
para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos,
e o teu rosto de água fresca que eu bebo,
com esta sede que não passa.
Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,
como gostas de mim,
até ao fundo do mundo que me deste..."
Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,
e trouxeste a manhã da minha noite.
É verdade que te podia dizer:
"Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem,
sermos o que sempre fomos,
mudarmos apenas dentro de nós próprios?"
Mas ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.
Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,
ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
mesmo esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri
o sentido de irmos contra o tempo,
para ganhar o tempo que o tempo nos rouba.
Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti
para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos,
e o teu rosto de água fresca que eu bebo,
com esta sede que não passa.
Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,
como gostas de mim,
até ao fundo do mundo que me deste..."
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
SOBRE COMO ELE PENSA QUE É...
"Um menino, de pés descalços, sentado à beira do rio,
coloca na água uma folha seca e adormece olhando o vazio.
Em seus sonhos, navega além-mar, comandando um grande navio.
Enfrenta as águas revoltas, às vezes, as calmarias
e vai assim aprendendo que todas as fantasias
têm contraponto na chuva, no vento e na poesia.
Chegando em terras longínquas, espanta-se com prodígios:
dragões que cuspiam fogo, mendigos de mãos vazias
que apesar do frio e da fome, ainda sorriam.
Seus olhinhos assustados não podiam crer no que viam:
mulheres barbadas, anões, prostitutas, bugios, em danças burlescas,
mentiam que eram felizes em meio àquela orgia.
Montou um cavalo alado e fugiu apavorado,
pois nada daquilo era compreensível
para um simples menino de beira de rio.
Doíam seus pés descalços,
pisando as folhas secas espalhadas no caminho.
Dormiu ao relento, sob estrelas de néon,
comeu o pão que o diabo amassou, chorou de medo,
colecionou conchinhas, falou com desconhecidos
que cuspiram sobre ele “verdades e sabedorias”.
Confuso, seguiu seu caminho.
Fez e perdeu amigos, cantou e vestiu fantasias,
berrou em prol de anistia, tentou entender de música,
dançou no meio da praça, agarrado a uma vadia,
provou do Bem e do Mal, só pra ver se entendia.
Parou na frente da igreja e ouviu uma ladainha,
mas o Deus não se fez visível e ele se foi,
então, em busca de novo destino.
Muitos anos se passaram nesse passeio onírico,
muitos em pesadelos horríveis, outros,
um pouco mais pacíficos e mesmo assim ele não desistia.
Amou, foi e não foi amado, enlouqueceu de alegria,
curou-se com água fria.
Um homem, de largas sandálias, caminha pelas ruas do Rio.
Varrendo as folhas secas para debaixo do tapete, falando poesia...
O som do sino da igreja lembra o Deus não revelado
e ele pisa as conchinhas espalhadas na areia.
Do cavalo alado, restaram as rédeas, vazias.
Onde deixou seu navio?
Quando o vento sopra, ele muda e cria seus personagens
que dançam danças burlescas, cavalga amores fantasmas,
apaixona-se por si mesmo e ri de tanto chorar.
Procura quem se disponha a segui-lo sem sapatos,
no longo caminho de volta dessa sua alma vadia
ao ponto na beira do rio que liberte sua inocente
poesia escrita em folhas verdes brotadas ao som de sinos,
alguém que o cubra de beijos até que abra as asas
e pegue de volta o caminho de sua sina e desperte na beira do rio.
Só pra entender que é divino,
que brilha em todas as cores,
que o que existe é o que ele cria em seus acessos de fúria
quando apenas faz o que acha que deve,
limitando-se ao que pensa que pode,
chorando sem fantasia, nu, no meio da praça.
A inocência talvez ainda seja o seu maior pecado..."
(Denise Rangel)
*Poesia feita para/sobre mim. A autora descreve como ela vê minha história de vida...
coloca na água uma folha seca e adormece olhando o vazio.
Em seus sonhos, navega além-mar, comandando um grande navio.
Enfrenta as águas revoltas, às vezes, as calmarias
e vai assim aprendendo que todas as fantasias
têm contraponto na chuva, no vento e na poesia.
Chegando em terras longínquas, espanta-se com prodígios:
dragões que cuspiam fogo, mendigos de mãos vazias
que apesar do frio e da fome, ainda sorriam.
Seus olhinhos assustados não podiam crer no que viam:
mulheres barbadas, anões, prostitutas, bugios, em danças burlescas,
mentiam que eram felizes em meio àquela orgia.
Montou um cavalo alado e fugiu apavorado,
pois nada daquilo era compreensível
para um simples menino de beira de rio.
Doíam seus pés descalços,
pisando as folhas secas espalhadas no caminho.
Dormiu ao relento, sob estrelas de néon,
comeu o pão que o diabo amassou, chorou de medo,
colecionou conchinhas, falou com desconhecidos
que cuspiram sobre ele “verdades e sabedorias”.
Confuso, seguiu seu caminho.
Fez e perdeu amigos, cantou e vestiu fantasias,
berrou em prol de anistia, tentou entender de música,
dançou no meio da praça, agarrado a uma vadia,
provou do Bem e do Mal, só pra ver se entendia.
Parou na frente da igreja e ouviu uma ladainha,
mas o Deus não se fez visível e ele se foi,
então, em busca de novo destino.
Muitos anos se passaram nesse passeio onírico,
muitos em pesadelos horríveis, outros,
um pouco mais pacíficos e mesmo assim ele não desistia.
Amou, foi e não foi amado, enlouqueceu de alegria,
curou-se com água fria.
Um homem, de largas sandálias, caminha pelas ruas do Rio.
Varrendo as folhas secas para debaixo do tapete, falando poesia...
O som do sino da igreja lembra o Deus não revelado
e ele pisa as conchinhas espalhadas na areia.
Do cavalo alado, restaram as rédeas, vazias.
Onde deixou seu navio?
Quando o vento sopra, ele muda e cria seus personagens
que dançam danças burlescas, cavalga amores fantasmas,
apaixona-se por si mesmo e ri de tanto chorar.
Procura quem se disponha a segui-lo sem sapatos,
no longo caminho de volta dessa sua alma vadia
ao ponto na beira do rio que liberte sua inocente
poesia escrita em folhas verdes brotadas ao som de sinos,
alguém que o cubra de beijos até que abra as asas
e pegue de volta o caminho de sua sina e desperte na beira do rio.
Só pra entender que é divino,
que brilha em todas as cores,
que o que existe é o que ele cria em seus acessos de fúria
quando apenas faz o que acha que deve,
limitando-se ao que pensa que pode,
chorando sem fantasia, nu, no meio da praça.
A inocência talvez ainda seja o seu maior pecado..."
(Denise Rangel)
*Poesia feita para/sobre mim. A autora descreve como ela vê minha história de vida...
domingo, 6 de setembro de 2009
EU TENHO MUITO PARA DAR...
"Tudo tem que ser bem de leve
para eu não me assustar
e não assustar os que amo.
Pedem-me pouco,
pedem-me quase nada.
O terrível é que
eu tenho muito para dar
e tenho que engolir esse muito
e ainda por cima
dizer com delicadeza:
obrigada por receber
em de mim
um pouquinho de mim..."
(Clarice Lispector)
para eu não me assustar
e não assustar os que amo.
Pedem-me pouco,
pedem-me quase nada.
O terrível é que
eu tenho muito para dar
e tenho que engolir esse muito
e ainda por cima
dizer com delicadeza:
obrigada por receber
em de mim
um pouquinho de mim..."
(Clarice Lispector)
O TAMANHO DAS PESSOAS
"Os tamanhos das pessoas variam
conforme o grau de envolvimento.
Uma pessoa é enorme para você,
quando fala do que leu e viveu,
quando trata você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento
em que teria que demonstrar
o que há de mais importante entre duas pessoas:
A amizade, o respeito, o carinho,
o zelo e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para você
quando se interessa pela sua vida,
quando busca alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto com você.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa,
quando surpreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma..."
(William Shakespeare)
conforme o grau de envolvimento.
Uma pessoa é enorme para você,
quando fala do que leu e viveu,
quando trata você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento
em que teria que demonstrar
o que há de mais importante entre duas pessoas:
A amizade, o respeito, o carinho,
o zelo e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para você
quando se interessa pela sua vida,
quando busca alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto com você.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa,
quando surpreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma..."
(William Shakespeare)
FALTAM PALAVRAS
"Há muita coisa a dizer
que não sei como dizer.
Faltam as palavras.
Mas recuso-me a inventar novas:
as que existem já devem dizer
o que se consegue dizer e o que é proibido.
E o que é proibido eu adivinho.
Se houver força.
Atrás do pensamento não há palavras :
É-se.
Minha pintura não tem palavras:
fica atrás do pensamento.
Nesse terreno do é-se
sou puro êxtase cristalino.
É-se.
Sou-me.
Tu te és..."
(Clarice Lispector)
que não sei como dizer.
Faltam as palavras.
Mas recuso-me a inventar novas:
as que existem já devem dizer
o que se consegue dizer e o que é proibido.
E o que é proibido eu adivinho.
Se houver força.
Atrás do pensamento não há palavras :
É-se.
Minha pintura não tem palavras:
fica atrás do pensamento.
Nesse terreno do é-se
sou puro êxtase cristalino.
É-se.
Sou-me.
Tu te és..."
(Clarice Lispector)
CARTA DE SAUDADE
"Entrego-me tanto
E com tanta força ao irreal
Que quando tenho um "mal súbito" de realidade...
(podem chamar de saudade...)
Amarga-me a boca de imediato
Respiro devagar...
Tenho um medo enorme
que alguém descubra algo
que nem eu quero saber...
E se eu não for imortal?
E se você não me ama?
E muito pior...
se eu não tenho amor por você?
Deixa eu fechar os olhos um pouco...
Deixa tudo quieto um pouco...
Já tive algumas perdas antes...
São doloridas...
Mas deixa eu sentir essa dor
com a mesma urgência e volume
que deixo tudo acumular-se em mim...
Deixa...
Daqui a pouco tudo isso passa...
E eu começo a enxergar tudo
em tons de lilás e azul
que não desbotam nunca..."
E com tanta força ao irreal
Que quando tenho um "mal súbito" de realidade...
(podem chamar de saudade...)
Amarga-me a boca de imediato
Respiro devagar...
Tenho um medo enorme
que alguém descubra algo
que nem eu quero saber...
E se eu não for imortal?
E se você não me ama?
E muito pior...
se eu não tenho amor por você?
Deixa eu fechar os olhos um pouco...
Deixa tudo quieto um pouco...
Já tive algumas perdas antes...
São doloridas...
Mas deixa eu sentir essa dor
com a mesma urgência e volume
que deixo tudo acumular-se em mim...
Deixa...
Daqui a pouco tudo isso passa...
E eu começo a enxergar tudo
em tons de lilás e azul
que não desbotam nunca..."
A "PIOR" VONTADE...
"Todos são tão compreensivos,
aceitam tão bem suas escolhas,
torcem por tudo o que você faz,
Desde que você faça o que está no script.
Que siga o que foi determinado no roteiro,
aquele que foi escrito sabe-se lá por quem
e homologado no instante mesmo em que você nasceu.
Mas e quem não quiser seguir esse script?
Como personagem de Clarice Lispector
Meu coração encheu-se coma pior vontade de viver
A "pior" vontade...
não quer ganhar medalha de honra ao mérito,
não quer posar para fotografias,
A "pior" vontade ...
É quando você sabe que não deveria, mas vai.
Que não será fácil, mas enfrenta.
Que tomarão como agressão, mas arrisca.
É com essa "pior" vontade de viver
que você atrai os outros,
seu magnetismo cresce,
seu rosto rejuvenesce e você fica interessante.
É uma pena que nem todos tenham a sorte
de deixar vir a tona a pior vontade de viver,
que,secretamente, é a melhor..."
aceitam tão bem suas escolhas,
torcem por tudo o que você faz,
Desde que você faça o que está no script.
Que siga o que foi determinado no roteiro,
aquele que foi escrito sabe-se lá por quem
e homologado no instante mesmo em que você nasceu.
Mas e quem não quiser seguir esse script?
Como personagem de Clarice Lispector
Meu coração encheu-se coma pior vontade de viver
A "pior" vontade...
não quer ganhar medalha de honra ao mérito,
não quer posar para fotografias,
A "pior" vontade ...
É quando você sabe que não deveria, mas vai.
Que não será fácil, mas enfrenta.
Que tomarão como agressão, mas arrisca.
É com essa "pior" vontade de viver
que você atrai os outros,
seu magnetismo cresce,
seu rosto rejuvenesce e você fica interessante.
É uma pena que nem todos tenham a sorte
de deixar vir a tona a pior vontade de viver,
que,secretamente, é a melhor..."
AS PALAVRAS FALHAM...
"Assim como falham as palavras
quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos
quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada
não é a dita mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe,
não o ser pensada.
Assim tudo o que existe,
simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha
desde a infância da doença..."
quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos
quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada
não é a dita mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe,
não o ser pensada.
Assim tudo o que existe,
simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha
desde a infância da doença..."
FELICIDADES
"Pequenas felicidades
passeiam por nossos dias
como joaninhas na palma da mão,
como um desenho de orquídea
trazido pelo vento.
Para não desperdiçá-las
há que estar sempre atento,
caminhar vagarosamente
pelos contornos da tarde,
encher os bolsos
com a areia dourada do tempo..."
(Roseana Murray)
passeiam por nossos dias
como joaninhas na palma da mão,
como um desenho de orquídea
trazido pelo vento.
Para não desperdiçá-las
há que estar sempre atento,
caminhar vagarosamente
pelos contornos da tarde,
encher os bolsos
com a areia dourada do tempo..."
(Roseana Murray)
FRUTOS E FLORES
"Meu amado me diz
que sou como maçã cortada ao meio.
As sementes eu tenho é bem verdade.
E a simetria das curvas.
Tive um certo rubor na pele lisa
que não sei se ainda tenho.
Mas se em abril floresce a macieira
eu, maçã feita e pra lá de madura,
ainda me desdobro em brancas flores
cada vez que sua faca me traspassa..."
(Marina Colasanti)
que sou como maçã cortada ao meio.
As sementes eu tenho é bem verdade.
E a simetria das curvas.
Tive um certo rubor na pele lisa
que não sei se ainda tenho.
Mas se em abril floresce a macieira
eu, maçã feita e pra lá de madura,
ainda me desdobro em brancas flores
cada vez que sua faca me traspassa..."
(Marina Colasanti)
TALVEZ...
"Talvez eu venha a envelhecer rápido demais,
mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.
Talvez eu sofra inúmeras desilusões na minha vida.
mas farei que elas percam a importância
diante dos gestos de amor que encontrei.
Talvez eu não tenha forças para realizar os meus ideais,
mas jamais irei me considerar um derrotado.
Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda,
mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.
Talvez um dia o sol deixe de brilhar,
mas então irei me banhar na chuva.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça,
mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos,
mas terei humildade para aceitar as mãos
que se estenderão em minha direção.
Talvez numa dessas noites frias, eu derrame lágrimas,
mas não terei vergonha por esse gesto.
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes,
mas não deixarei de acreditar que em algum lugar
alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros,
mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.
Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades,
mas irei aprender que os meus verdadeiros amigos
nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal,
mas plantarei a semente da fraternidade por onde passar.
Talvez eu fique triste ao não consiguir seguir o ritmo da música,
mas então, farei que a música siga o compasso dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris,
mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraco,
mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias,
mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos
já estão gravados em minha alma.
Talvez eu me deprima por não saber a letra daquela música,
mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações,
mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira,
mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.
Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser,
mas passarei a admirar quem sou,
porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas,
eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado:
“ainda não chegou o fim”
Porque no final não haverá nenhum “talvez”
e sim a certeza de que a minha vida valeu a pena
e eu fiz o melhor que podia..."
(Sonia Carvalho)
mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.
Talvez eu sofra inúmeras desilusões na minha vida.
mas farei que elas percam a importância
diante dos gestos de amor que encontrei.
Talvez eu não tenha forças para realizar os meus ideais,
mas jamais irei me considerar um derrotado.
Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda,
mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.
Talvez um dia o sol deixe de brilhar,
mas então irei me banhar na chuva.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça,
mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos,
mas terei humildade para aceitar as mãos
que se estenderão em minha direção.
Talvez numa dessas noites frias, eu derrame lágrimas,
mas não terei vergonha por esse gesto.
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes,
mas não deixarei de acreditar que em algum lugar
alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros,
mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.
Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades,
mas irei aprender que os meus verdadeiros amigos
nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal,
mas plantarei a semente da fraternidade por onde passar.
Talvez eu fique triste ao não consiguir seguir o ritmo da música,
mas então, farei que a música siga o compasso dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris,
mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraco,
mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias,
mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos
já estão gravados em minha alma.
Talvez eu me deprima por não saber a letra daquela música,
mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações,
mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira,
mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.
Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser,
mas passarei a admirar quem sou,
porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas,
eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado:
“ainda não chegou o fim”
Porque no final não haverá nenhum “talvez”
e sim a certeza de que a minha vida valeu a pena
e eu fiz o melhor que podia..."
(Sonia Carvalho)
ESCUTATÓRIA
"Sempre vejo anunciados cursos de oratória.
Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar...
Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória,
mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que...
Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça,
sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro:
Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.
É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz
sem logo dar um palpite melhor...
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno
de descansada consideração...
E precisasse ser complementado por aquilo
que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil
de nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos...
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano,
ficam assentados em silêncio...
Abrindo vazios de silêncio...
Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.
Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem.
Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito,
pois o outro falou os seus pensamentos...
Pensamentos que ele julgava essenciais são-me estranhos.
É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza..
Na verdade, não ouvi o que você falou.
Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar
quando você terminasse sua tola fala.
Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou.
Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.
É coisa velha para mim.
Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo.
O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer:
Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro.
Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro,
a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência...
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras...
No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio.
A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.
Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia,
ouvimos a melodia que não havia...
Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros:
A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente
se juntam num contraponto..."
(Rubem Alves)
Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar...
Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória,
mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que...
Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça,
sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro:
Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.
É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz
sem logo dar um palpite melhor...
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno
de descansada consideração...
E precisasse ser complementado por aquilo
que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil
de nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos...
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano,
ficam assentados em silêncio...
Abrindo vazios de silêncio...
Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.
Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem.
Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito,
pois o outro falou os seus pensamentos...
Pensamentos que ele julgava essenciais são-me estranhos.
É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza..
Na verdade, não ouvi o que você falou.
Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar
quando você terminasse sua tola fala.
Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou.
Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.
É coisa velha para mim.
Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo.
O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer:
Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro.
Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro,
a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência...
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras...
No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio.
A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.
Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia,
ouvimos a melodia que não havia...
Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros:
A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente
se juntam num contraponto..."
(Rubem Alves)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
HÁ COISAS NA VIDA...
"Há coisas lindas na vida:
poesia...amor...você...
Poesia linda, por que é triste
Amor lindo, por que existe
Mas lindo mesmo é você.
Há coisas grandes na vida:
amor...perdão..você...
Amor é grande por que isola
Perdão consola
Mas grande mesmo é você
Há coisas inexplicáveis na vida:
Deus...saudade...você...
Deus se ama e não se explica
Saudade se justifica
Mas como explicar você
Há coisas boas na vida:
livros...carinhos...você...
Livros nos ensinam
Carinhos quem não os sente?
Mas bom para mim é você
Há coisas incompreensíveis na vida:
crianças...sonhos...você...
Crianças não sei se entendo
Sonhos não os compreendo
Mas sei que amo você..."
(Dedicado à Ana Lucia Correa de Camargo)
poesia...amor...você...
Poesia linda, por que é triste
Amor lindo, por que existe
Mas lindo mesmo é você.
Há coisas grandes na vida:
amor...perdão..você...
Amor é grande por que isola
Perdão consola
Mas grande mesmo é você
Há coisas inexplicáveis na vida:
Deus...saudade...você...
Deus se ama e não se explica
Saudade se justifica
Mas como explicar você
Há coisas boas na vida:
livros...carinhos...você...
Livros nos ensinam
Carinhos quem não os sente?
Mas bom para mim é você
Há coisas incompreensíveis na vida:
crianças...sonhos...você...
Crianças não sei se entendo
Sonhos não os compreendo
Mas sei que amo você..."
(Dedicado à Ana Lucia Correa de Camargo)
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