"A vida é um incêndio:
nela dançamos salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
Cantemos a canção das chamas!!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...”
(Mario Quintana)
sábado, 24 de outubro de 2009
QUERO FAZER CONTIGO...
"Quando não te doeu acostumar-te a mim,
À minha alma solitária e selvagem,
a meu nome que todos afugentam.
Tantas vezes vimos arder o luzeiro
nos beijando os olhos e sobre nossas cabeças
distorcer-se os crepúsculos em girantes abanos.
Sobre ti minhas palavras choveram carícias.
Faz tempo que amei teu corpo de nácar ensolarado.
Chego a te crer a dona do universo.
Te trarei das montanhas flores alegres, copihues,
avelãs escuras, e cestas silvestres de beijos.
Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas..."
(Pablo Neruda)
À minha alma solitária e selvagem,
a meu nome que todos afugentam.
Tantas vezes vimos arder o luzeiro
nos beijando os olhos e sobre nossas cabeças
distorcer-se os crepúsculos em girantes abanos.
Sobre ti minhas palavras choveram carícias.
Faz tempo que amei teu corpo de nácar ensolarado.
Chego a te crer a dona do universo.
Te trarei das montanhas flores alegres, copihues,
avelãs escuras, e cestas silvestres de beijos.
Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas..."
(Pablo Neruda)
FALO DE TI...
"Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;
Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;
Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!
E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!"
(Florbela Espanca)
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;
Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;
Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!
E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!"
(Florbela Espanca)
AMORES...
"Não creio que amores se apaguem;
apenas se escondem do vento
para não perderem o fogo...
e mesmo que virem brasa,
se soprados pelos mesmos lábios de ontem,
voltarão... assim,
amores são elos de perpetuação.
podem até desaparecer,
mas nunca morrerão.
Pois, são plantados na alma
com raízes no coração!"
(Santaroza)
apenas se escondem do vento
para não perderem o fogo...
e mesmo que virem brasa,
se soprados pelos mesmos lábios de ontem,
voltarão... assim,
amores são elos de perpetuação.
podem até desaparecer,
mas nunca morrerão.
Pois, são plantados na alma
com raízes no coração!"
(Santaroza)
CONCHAS...
"Procuro amigos como quem cata conchas,
entre praias, areias e pedras escorregadias.
Não tenho pressa. Escolho. Pulo as ondas.
Deixo o tempo me entreter em suas manias.
Quando encontro, ponho logo na coleção,
aquele lugar reservado desde sempre.
Alguns dão trabalho, peças exigentes,
outros acomodam-se dóceis ao coração.
O mar as vezes me traz algas, guardo-as também.
Não sou devoto das formas convencionais.
No mais, não sou fiscal de conchas.
Que mal tem se não pergunto nem exijo credenciais?
Arrisco. Meto a mão.
Danem-se os caranguejos..."
(Rodrigo Mendes Rosa)
entre praias, areias e pedras escorregadias.
Não tenho pressa. Escolho. Pulo as ondas.
Deixo o tempo me entreter em suas manias.
Quando encontro, ponho logo na coleção,
aquele lugar reservado desde sempre.
Alguns dão trabalho, peças exigentes,
outros acomodam-se dóceis ao coração.
O mar as vezes me traz algas, guardo-as também.
Não sou devoto das formas convencionais.
No mais, não sou fiscal de conchas.
Que mal tem se não pergunto nem exijo credenciais?
Arrisco. Meto a mão.
Danem-se os caranguejos..."
(Rodrigo Mendes Rosa)
HOJE ME DEI CONTA
"Hoje me dei conta
de que as pessoasvivem a esperar por algo
E quando surge uma oportunidade
Se dizem confusas e despreparadas,
sentem que não merecem,
Que o tempo certo ainda não chegou,
E a vida passa e os momentos se acumulam
Como papéis sobre uma mesa.
Estamos nos preparando para qualquer coisa
Mas ainda não aprendemos a viver,
A arriscar por aquilo que queremos,
A sentir aquilo que sonhamos.
E assim adiamos nossos dias
E nossas vidas por tempo indeterminado
Até que a vida se encarregue
de decidir por nós mesmos,
E percebemos o quanto perdemos
E o tanto que poderíamos ter evitado..."
(Fenando Pessoa)
de que as pessoasvivem a esperar por algo
E quando surge uma oportunidade
Se dizem confusas e despreparadas,
sentem que não merecem,
Que o tempo certo ainda não chegou,
E a vida passa e os momentos se acumulam
Como papéis sobre uma mesa.
Estamos nos preparando para qualquer coisa
Mas ainda não aprendemos a viver,
A arriscar por aquilo que queremos,
A sentir aquilo que sonhamos.
E assim adiamos nossos dias
E nossas vidas por tempo indeterminado
Até que a vida se encarregue
de decidir por nós mesmos,
E percebemos o quanto perdemos
E o tanto que poderíamos ter evitado..."
(Fenando Pessoa)
VOCÊ BEM QUE PODIA...
"...você bem que podia ter surgido na minha vida
vinte anos atrás,
quando eu ainda tinha planos.
Quinze anos atrás,
quando eu estava me formando.
Onze anos atrás,
quando eu morava sozinha.
Dez anos atrás,
quando eu ainda era solteira.
Seis anos atrás,
quando eu ainda estava tentando.
Dois meses atrás,
quando sobrava alguma força.
Ontem à noite
eu ainda estava te esperando..."
(Martha Medeiros)
vinte anos atrás,
quando eu ainda tinha planos.
Quinze anos atrás,
quando eu estava me formando.
Onze anos atrás,
quando eu morava sozinha.
Dez anos atrás,
quando eu ainda era solteira.
Seis anos atrás,
quando eu ainda estava tentando.
Dois meses atrás,
quando sobrava alguma força.
Ontem à noite
eu ainda estava te esperando..."
(Martha Medeiros)
SUPOSIÇÃO...
"Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares, são gestos,
são palavras, com a suposição
de qualquer semelhança no fundo..."
(Fernando Pessoa)
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares, são gestos,
são palavras, com a suposição
de qualquer semelhança no fundo..."
(Fernando Pessoa)
SOB A AÇÃO DO TEMPO
"Eu já senti mais saudade de você.
Houve um tempo, por exemplo,
que tudo me trazia você à lembrança.
Não sei. Mas, talvez eu esteja esquecendo
o brilho de teus olhos verdes... Azuis?
Castanhos. Acho que são castanhos.
Então... nem o mar, outrora seu retrato fiel,
nem a lua me trazem mais você à memória.
E pra falar a verdade, eu confesso:
às vezes me esqueço de alguns detalhes de nossa estória.
É. Eu já senti mais saudade de você.
Nos dias frios de inverno, creia!
sua ausência era um inferno.
Hoje, se o dia está frio acendo a lareira..."
(José Maria Alves Nunes)
Houve um tempo, por exemplo,
que tudo me trazia você à lembrança.
Não sei. Mas, talvez eu esteja esquecendo
o brilho de teus olhos verdes... Azuis?
Castanhos. Acho que são castanhos.
Então... nem o mar, outrora seu retrato fiel,
nem a lua me trazem mais você à memória.
E pra falar a verdade, eu confesso:
às vezes me esqueço de alguns detalhes de nossa estória.
É. Eu já senti mais saudade de você.
Nos dias frios de inverno, creia!
sua ausência era um inferno.
Hoje, se o dia está frio acendo a lareira..."
(José Maria Alves Nunes)
O SINO DA MINHA ALDEIA...
"Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soa-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto..."
(Fernando Pessoa)
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soa-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto..."
(Fernando Pessoa)
NOVELO DE SONHOS
"Segura naquela estrela
enquanto eu vou buscar uma caixa pequenina
para a poder guardá-la.
Faço dela candeeiro que de noite me alumia,
assusta para longe os monstros da minha fantasia.
Segura nessa lua
que eu vou buscar a tesoura,
vou pendurá-la no meu quarto como poster de cantora.
Agarra nessa nuvem
que a quero para almofada
se for grande faço com ela uma cama enfeitada.
Desfia uma história antes de eu adormecer,
enrola o novelo dos sonhos,
fonte onde vou beber..."
(Nuno Rita)
enquanto eu vou buscar uma caixa pequenina
para a poder guardá-la.
Faço dela candeeiro que de noite me alumia,
assusta para longe os monstros da minha fantasia.
Segura nessa lua
que eu vou buscar a tesoura,
vou pendurá-la no meu quarto como poster de cantora.
Agarra nessa nuvem
que a quero para almofada
se for grande faço com ela uma cama enfeitada.
Desfia uma história antes de eu adormecer,
enrola o novelo dos sonhos,
fonte onde vou beber..."
(Nuno Rita)
SE AO MENOS...
"Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
Se ao menos tivesses levado as minhas mãos
para tocar os teus dedos, para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos..."
(Joaquim pessoa)
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
Se ao menos tivesses levado as minhas mãos
para tocar os teus dedos, para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos..."
(Joaquim pessoa)
RAZÕES...
"Pensarás que é mentira e é no entanto verdade
- mas me afasto de ti, propositadamente,
pelo estranho prazer de sentir que a saudade
ainda torna maior o coração da gente...
Parto! Bem sei que parto sem necessidade!
Quero ver os teus olhos turvos, de repente,
embora não compreenda essa felicidade
que assim te faz sofrer comigo inutilmente!
Quero ouvir-te pedir na hora da despedida
que eu volte bem depressa para a tua vida...
- quero no último beijo um soluço interior...
Que enquanto ficas só, e enquanto eu vou sozinho,
sabemos que a saudade vai tecendo o ninho
que há de aquecer na volta o nosso eterno amor!"
(J. G. de Araújo Jorge)
- mas me afasto de ti, propositadamente,
pelo estranho prazer de sentir que a saudade
ainda torna maior o coração da gente...
Parto! Bem sei que parto sem necessidade!
Quero ver os teus olhos turvos, de repente,
embora não compreenda essa felicidade
que assim te faz sofrer comigo inutilmente!
Quero ouvir-te pedir na hora da despedida
que eu volte bem depressa para a tua vida...
- quero no último beijo um soluço interior...
Que enquanto ficas só, e enquanto eu vou sozinho,
sabemos que a saudade vai tecendo o ninho
que há de aquecer na volta o nosso eterno amor!"
(J. G. de Araújo Jorge)
UMA COISA CHAMADA CONSCIÊNCIA...
"Existem coisas com as quais, definitivamente, não sei lidar.
Não sei jogar e nem me arrisco a isso, porque fatalmente perco.
Perco porque só sei usar as regras normais,
aquelas que são definidas antecipadamente
pelo que é considerado justo pela razão e pelo bom senso.
Essas regras tolas, que algumas pessoas desconhecem
ou fazem questão de ignorar.
Eu poderia aprender a burlar algumas, a manipular o jogo,
a esconder cartas na manga, blefar e enganar.
Mas tem uma coisa em mim que se chama consciência,
que tem o grave defeito de não caber no meu travesseiro,
quando me deito, se acaso faço algo que não devo.
Por isso, procuro deixar a minha consciência sempre tranquila,
perfeitamente acomodada entre o que acredito, penso e faço.
Sendo assim, não perco o sono, mas perco o jogo.
E fico assistindo, com cara de paisagem,
as pessoas empunhando a taça da vitória com uma das mãos,
escondendo atrás do corpo a outra,
cheia de truques e imoralidades.
Para estas, consciência não é problema.
Importa sim estar por cima, doa a quem doer.
Delas, penso duas coisas:
Ou a consciência delas é só aquele grilo verde das historinhas
que não serve para nada,
ou na cama delas deve haver um travesseiro enorme!"
(Helena C. de Araujo)
Não sei jogar e nem me arrisco a isso, porque fatalmente perco.
Perco porque só sei usar as regras normais,
aquelas que são definidas antecipadamente
pelo que é considerado justo pela razão e pelo bom senso.
Essas regras tolas, que algumas pessoas desconhecem
ou fazem questão de ignorar.
Eu poderia aprender a burlar algumas, a manipular o jogo,
a esconder cartas na manga, blefar e enganar.
Mas tem uma coisa em mim que se chama consciência,
que tem o grave defeito de não caber no meu travesseiro,
quando me deito, se acaso faço algo que não devo.
Por isso, procuro deixar a minha consciência sempre tranquila,
perfeitamente acomodada entre o que acredito, penso e faço.
Sendo assim, não perco o sono, mas perco o jogo.
E fico assistindo, com cara de paisagem,
as pessoas empunhando a taça da vitória com uma das mãos,
escondendo atrás do corpo a outra,
cheia de truques e imoralidades.
Para estas, consciência não é problema.
Importa sim estar por cima, doa a quem doer.
Delas, penso duas coisas:
Ou a consciência delas é só aquele grilo verde das historinhas
que não serve para nada,
ou na cama delas deve haver um travesseiro enorme!"
(Helena C. de Araujo)
O QUE PENSAM DE MIM...
"Adoro avaliar o olhar de algumas pessoas sobre mim.
Percebo-lhes, pelas emoções e respostas,
os sentimentos em que me guardam.
A algumas, provoco sensações boas e percebo isso.
Porque são as mesmas sensações que provocam em mim.
A outras, sinto que tenho o dom de despertar
a mesma raiva que em mim despertam.
Só que as minhas reações
diante dessa "raiva recíproca" são diferentes.
Não fico me escondendo em meias palavras e indiretas.
O que tenho que dizer, eu digo.
Não me afundo em falsos poços e solidões.
Detesto parecer "chorosa".
E detesto quem parece.
Detesto me fazer de vítima.
E abomino quem age assim
na tentativa de angariar ombros às suas dores..."
(Helena C. de Araujo)
Percebo-lhes, pelas emoções e respostas,
os sentimentos em que me guardam.
A algumas, provoco sensações boas e percebo isso.
Porque são as mesmas sensações que provocam em mim.
A outras, sinto que tenho o dom de despertar
a mesma raiva que em mim despertam.
Só que as minhas reações
diante dessa "raiva recíproca" são diferentes.
Não fico me escondendo em meias palavras e indiretas.
O que tenho que dizer, eu digo.
Não me afundo em falsos poços e solidões.
Detesto parecer "chorosa".
E detesto quem parece.
Detesto me fazer de vítima.
E abomino quem age assim
na tentativa de angariar ombros às suas dores..."
(Helena C. de Araujo)
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