segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

EU TE ADORO!

"Queria escrever qualquer coisa,
mas só me sai que te adoro.
Queria opinar sobre a economia e os sintomas de retoma,
o perfil dos novos ministros e a impunidade judicial,
mas só me sai que te adoro.
Discorrer sobre a inconstância do tempo,
sobre o estio que rasgou o Outono,
as últimas alterações à lei,
o banqueiro constituído arguido,
a mediocridade nacional, a decadência do ensino,
a propagação da gripe A,
mas só me sai que te adoro.
Queria descrever com precisão
as saudades que tenho da terra, de palmilhar a lezíria
e de sentir ao longe o rumor dos animais.
Queria à falta de melhor falar sobre as últimas do desporto,
das hipóteses rasas da selecção,
da nova série da fox e da pinderiquice dos ídolos;
e alertar os incautos para os desencontros
que desaguam em silêncios e que cortam vidas ao meio,
mas só me sai que te adoro.
Queria fazer piadas, armar-me em esperta,
soltar citações a propósito e observações espirituosas,
suscitar sorrisos cúmplices e respostas aduladoras;
e dizer-te que afinal te detesto,
que pensando bem te desprezo, que nunca foste nem serás;
concluir, enfim, sobre a impossibilidade de sermos um só.
Mas só me sai que te adoro..."
(Sofia Vieira)

DESEJO O QUE DESEJAS...

"Desejo o que desejas; meu amor.
Verter nosso prazer no mesmo jogo,
Que é feito sem vergonha e sem pudor,
Ardendo com certeza, insano fogo.

Do amor que a gente faz, encantador,
Na sanha de te ter, mas venha logo,
Não quero te perder, quero propor
Se necessário, falo mesmo em rogo

Que seja a companheira inseparável
Nas noites, madrugadas e manhãs,
Na fonte do desejo inesgotável,

Palavras e delícias, bons afãs
Suores, ferormônios, loucos cios,
De beijos e carinhos mais vadios..."

(Marcos Loures)

DOCE MISTÉRIO...

"Corri em busca de descobertas,
Descobertas que desvendam mistérios,
Mistérios sagrados do amor.
Tive sede e fome nessa corrida
Mas aguentei...
Continuei a correr.
Sabia que valia a pena,
De que essas descobertas
Me mostrariam um novo mundo,
Um mundo de sonhos.
Enfim,
Cheguei ao final dessa corrida
E lá estava o mais doce mistério,
De que eu estava frente a frente
Com minha cara metade...
Era o reencontro
De duas partes perdidas no mundo.
Um mundo sombrio
Que transformou as sombras em sonhos.
Corri a vida inteira,
Atrás de um mistério que mudou a minha vida.
Um mundo que me apresentou a felicidade
Depois do cansaço, sede e da fome...
Um mundo que me deixou
Desvendar um doce mistério..."
(Autor Desconhecido)

APENAS MAIS UM DIA...

"Hoje foi apenas mais um dia
em que a chuva tapou as lágrimas que eu quis chorar,
em que o tempo deu asas ao vento que eu tentei negar,
em que as palavras eram tantas
que o barulhos dos carros não o conseguiu deter.
Apenas mais um dia em que a crise invadiu o meu espelho
e eu fui o reflexo, quis rever-me do outro lado
e sentir que não era bem dessa forma
mas doeu cá dentro,
doeu tanto que me queimaram as mãos em volta da cintura,
as mãos que eu nem sinto perto de mim,
nem sequer perto demais.
Hoje foi apenas mais um dia em que eu disse, fiz
e não sobrou nada para contar
a não ser este triste abismo onde caí
que não é mais do que as salas de psiquiatria do hospital,
pulseiras no pulso, cortes no braço
e este vazio enorme a rodear o meu corpo..."
(Margarete da Silva)

MOMENTOS...

"Uma melodia silenciosa agarra o meu corpo e tu nao vês,
faz-me voar e pensar no que crês e nao crês.
Abre-me os olhos para ver imagens de um mundo ao contrário,
como tudo deveria ser, o outro lado do cenário.
Obriga-me a assistir cego a um espectáculo no palco,
o oposto da minha vida que não é só shows e momentos altos.
Não sou ninguém nestas alturas, nasci no nada
um espelho que não reflecte, uma matéria mal estudada.
Rimas estruturadas seguem o flow do meu suspiro,
uma força consciente cresce sempre que eu inspiro.
Na escuridão vem-me a luz, ideias vão surgindo
reflicto no que fui, no que sou e no que quero ser,
eu grito:
tu és tu, igual a ti não há ninguém!!!
a tua força é superior, não olhes a quem...
E tudo conheces, foste abençoado com muito,
Calma... és singular, nasceste com a mão de Deus na tua alma.
Qual será o meu caminho? Já fui longe demais,
dificil regressar, o tempo nao volta atrás.
Sou eu mesmo, faça coisas boas ou coisas más.
Sofredor e conhecedor da felicidade que tu não me dás.
No coração dos teus sentidos vou bebendo sóbrio
o nome por mim escolhido, um mistério para mim próprio.
Não foi sempre assim, como diamantes eu vim da lama,
o puto que teve um sonho, tornou-se mais quente que uma chama.
Sempre humilde, morando ao lado da fama.
Com o subconsciente rouco de tanto chamar quem mais ama,
a minha mãe nao me pôde salvar, o que fiz foi errado
sozinho nesta selva onde revivo o passado.
Passado que tento enterrar, mas está cada vez mais presente,
memórias vão e voltam no respirar da minha mente.
Quente ele está sempre seja no verão ou no inverno
o rapaz que transforma em paraíso o mais receado inferno.
Eu não descanso, estou sempre a chamar por ti
quando os sentidos adormecem, apareces e aí...
Já nao acredito, tento esquecer-te
a tristeza vem com fé, quero voltar a ver-te!
São lembranças pálidas dum passado menos feliz,
escritas numa folha em branco por um poeta aprendiz,
que carrega o passado nas costas e o presente tem ele na mão,
o futuro predestinado, o que fez não será em vão.
Sou como uma sombra, podes pisar q'eu não me altero.
Sigo, não se passa nada,
quando o sol desaparece começo do zero.
Um dia assim hoje, outro diferente amanhã,
amante da vida louca mas mente consciente e sã.
Sou adepto da ignorância, assisto mas não sou fã,
a felicidade eu quero, mas nao sei onde ela está...
Domino-me a mim mesmo, pesquiso fundo a virtude
eu mudo tudo mesmo que "o tudo" não me mude...
(Autor Desconhecido)

DEVANEIOS...

"Sou a chama que queima em seu pensamento
A árvore que balança com o sopro do vento.
Sou a arte que brinca em seus dedos
Sou o ardor que corrompe seu ser
Sou o pesadelo que te persegue em seus sonhos
E cada segundo quando pensa em morrer
Sou o desejo que eleva seu membro viril.
Sou o seu devaneio do mais belo ao mais hostil
Na escuridão sou a bruma que lhe envolve
Sou o ódio seu alimento pela vida
Sou o sangue seu alimento após a Morte..."
(R.Raven)

EU SOU...

"Sou seu pesadelo, o mal infinito
Seu medo, o desejo mais bonito
Sou seu carma, teu destino
sou seu destemido vampiro.

Eu sou o motivo de sua dor
Sua agonia, sua anêmia seu terror
Sou a encarnação do mal
Sou seu dono, você meu animal.

Sou um parasita hospedeiro
Moribundo poderoso,
que se alimenta de seu desespero
Sou aquele que sua mente cansa,
Que teu corpo chama.

Que teu sangue consome
E com sua vida aos poucos some.
Sou toda a emanação negativa,
Sou a personificação do mal,

Amo assassinar
Sou seu mestre...
Eu sou Vampiro..."

(Guto Sioux)

QUANDO TODOS DORMEM...

"Deito-me na escuridão, não consigo dormir sozinha,
não consigo dormir sem a presença de alguém,
há sombras que me perseguem,
há um mundo inteiro que eu não entendo
a ocupar-me as veias, nos braços as feridas
que fiz a mim própria e a vontade de nunca as ter feito,
cicatrizes para uma vida inteira,
saltei do meu mundo para entender o vosso
como se fosse fácil de entender o que cedo nos custa a amar...
Fiquei assim com a linha firme a servir-me de segurança,
hei-de avançar ou recuar?
Esta minha súbita maneira de forjar a realidade
ao ponto de me reconhecer nela.
Esta minha estúpida e insensata mas tão deliciosa
como desequilibrada vontade de morrer às vezes,
quando todos adormecem
e eu não consigo fechar as pálpebras."
(Margarete da Silva)

sábado, 12 de dezembro de 2009

CELEBRO A VIDA...

"Eu celebro a alegria de fazer anos de esperança.
Conto meus anos não pelo tempo,
Mas pelo espaço que fazes em meu coração.
Não pela amargura de uma dor,
mas pela ressurreição que ela traz.
Não pelo número de troféus de minhas conquistas,
Mas pelo gosto de aventura de minhas buscas.
Não pelas vezes que chego,
Mas pelas vezes que tenho coragem de partir.
Não pelos frutos que colhi,
Mas pelo terreno que preparei e as sementes que lancei .
Não pela quantidade dos que me amam,
Mas pela medida de meu coração capaz de amar a todos.
Não pelas desilusões que tive,
Mas pela esperança que infundi.
Não pelos anos que fiz,
Mas por aquilo que faço em meus anos..."
(Autor Desconhecido)

A PLANTA

"De dentro de uma semente rasgou,
certo dia, uma planta...
Ainda era muito cedo para brotar...
Mas era melhor o frio externo
do que suportar a casca que lhe sufocava
O vento lhe queimava a pele,
e a sol forte quase não a deixava respirar
A terra onde nasceu era seca,
e as pedras impediam que criasse raízes
Mas as raízes insistiam em crescer,
E apodreciam porque no solo não conseguia se fixar...
Suas folhas pequeninas não sobreviviam
muito além de alguns dias...
logo secavam e caiam por terra...
E a planta se deixou levar ao vento,
na esperança de encontrar solo fértil...
Areias quentes, alagados,
solo infestado de raízes velhas
Em algum lugar precisava encontrar terra,
onde pudesse florescer
Mas na terra não houve um só canto
onde pudesse fixar suas raízes
E numa estranha mutação
a planta aprendeu a se nutrir do vento
E se acostumou a ver suas folhas caírem por terra,
e frutos nunca ter...
Por muito tempo viajou
por mundos ignotos e conheceu seus costumes
Por muitos mundos ela passou sem ser notada...
Por outros deixou suas folhas secas nutrindo a terra...
Seu sonho era ser como as outras plantas,
criar raízes, florescer, frutificar...
Um dia um jardineiro a recolheu num vaso,
e ali regou suas raízes
E ela cresceu e floresceu, sentia-se viva e feliz
E por uma vez sentiu o calor da terra
Sentiu suas raízes crescerem,
sentiu pela primeira vez sua natureza de planta
Todo o seu ser lhe foi grato,
Como se na vida toda estivesse esperando por este momento
O jardineiro lhe deu o precioso momento de ser...
E a planta nunca esquecerá do jardineiro...
Porque mesmo por pouco tempo, a lembrança de ser planta,
de ser cuidada e de ter raízes na terra ficará para sempre
E agora ameaça o vento a lhe arrancar do vaso numa noite dessas
E de novo lhe levar pelo ar para estranhas terras
E novamente ela terá que aprender a se nutrir do ar
Mas por onde for ela levará a lembrança
de que um dia foi planta e teve terra...
E a imagem do jardineiro a regar seu vaso..."
(Autor Desconhecido)

UM AMIGO NO ESCURO...

"Andar com um amigo no escuro
é melhor que andar sozinho na luz...
Durante minha vida,
pessoas passaram por mim, dia após dia.
Mas somente algumas dessas pessoas,
ficarão para sempre em minha memória.
Essas pessoas são ditas amigas,
e as levarei para sempre em meu coração,
às vezes pelo simples fato
de terem cruzado meu caminho,
de terem dito uma única palavra de conforto
quando eu precisei.
Às vezes por ter me dado um minuto de sua atenção,
e me ouvido falar de minhas angústias,
medos, vitórias, derrotas...
Às vezes por terem confiado em mim,
e me contado também seus problemas...
Isso é ser amigo: é ouvir, é confiar e amar...
E amigos de verdade, ficam para sempre em nossos corações,
assim como as pegadas na alma, que são indestrutíveis."
(Ingrid Karoline)

DESPI O MEU CORPO...

"Despi o meu corpo,
deixei que ele se despisse de toda a tristeza,
só hoje até o sol adormecer atrás das montanhas.
Deixei que a luz invadisse a minha alma e imaginei
que ela abateria a tiro a escuridão que a consome,
não consigo caminhar direito,
os medicamentos dão-me tonturas
mas hoje quero ver o mar,
pego no papel azul, encho o lavatótio de água,
coloco-lhe meia-dúzia de conchas
e enquanto olho o mar fico a pensar como seria
se hoje eu tivesse forças para neutralizar a dor
sendo apenas eu neste pantano coberto de substituições.
Substituo a razão pelo sonho, molho as mãos na água
que não tem sal mas que cheira a sal,
apanho algumas conchas, acaricío-as no rosto,
faço de mim o que pensava não ser capaz.
Despi o meu corpo de agonias só para sentir o mar,
fiel companheiro, aquele que nunca me pode acompanhar,
aquele que sempre acompanharei.
Eu sei do que sou capaz e hei-de sempre acompanhar o mar
e ser feliz mesmo que seja escondendo a dor
e deixar que ela também nos acompanhe em segredo
para que quem nos segue não se afaste.
O meu corpo despido de tristeza
e o mar que há-de sempre receber-me de braços abertos
com o olhar profundo a abrir-me a alma
tentando despir-me de tristeza..."
(Margarete da Silva)

O VENTO CONTRA MIM...

"Cansada da espera inútil dos dias
saudei as luzes de um dia que jugava não existir mais,
o dia dos meus anos, os anos da minha humilde vida,
vinte anos e um sorriso entre lágrimas
que se desperta para além do tempo.
Voltei a cortar-me porque sempre faço asneiras
a mim próprias e àqueles que eu adoro,
quebro um pouco o tempo ao meio só
para me ser possível digerir o sangue a escorrer,
sujando a mão, a alma, o corpo,
sujando e ocupando tudo e depois não resta mais nada
a não ser esta violenta vontade de não ser.
Esperei que o tempo se curvasse perante a memória
mais triste de mim, chorei depois o tanto em palavras
que se deram em esperança e encantamento.
Se tu soubesses o quanto gosto de ti
não haverão mais palavras nem silêncios nem tempos sem fim.
Se tu soubesses o que vai dentro de mim
já não se agitaria o vento contra mim."
(Margarete da Silva)

NÃO SEI MAIS O QUE POSSO FAZER...

"Quando vais na rua não sabes ao certo
que mundo é o teu, se andas ao contrário,
se vives do avesso, os teus olhos temem
com medo que venha alguém ao teu alcance,
depois não adormeces com medo que te destruam
ainda mais a alma já destruída como ele o fez.
Páras de tremer aos poucos mas a tua alma
continua a tremer na mesma uma dor
qualquer que sabes que é tua.
Poderias ter feito mais alguma coisa? Não sei!
Apresentei queixa dele na Polícia,
fizeram-me exames no instituto de medicina legal
e agora aguardo, aguardo a um canto,
ao meu canto na esperança de não mais voltar a vê-lo,
de não mais me aproximar dele,
enquanto ninguém me diz mais nada
eu aqui não sei que mais posso fazer."
(Margarete da Silva)

NÃO DEVES ENTENDER A VIDA...

"Não deves entender a vida,
seria então como uma festa.
Deixe que cada dia aconteça,
como uma criança que passa
e a cada dor com muitas
pétalas se presenteia.
Juntá-las e guardá-las
para a criança não tem sentido.
Retira-as suavemente dos cabelos,
onde tão facilmente se prenderam,
retoma os jovens e amados anos
de novo em suas mãos."
(Rainer Maria Rilke)