"E então ficamos os dois em silêncio,
tão quietos como dois pássaros na sombra,
recolhidos ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite,
dois caminhos que se juntam
num mesmo caminho.
Já não ouso, já não coras.
E o silêncio é tão nosso,
e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas.
Nada há mais a dizer,
depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos.
Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos..."
(J.G. de Araújo Jorge)
sábado, 21 de agosto de 2010
PALAVRAS E SILÊNCIO...
"Há algumas coisas que são lindas demais
para serem descritas por palavras.
É necessário admirá-las em silêncio
e contemplação para apreciá-las
em toda sua plenitude.
É necessário tão poucas palavras
para exprimir a sua essência.
As grandes falas servem frequentemente
só confundir ou doutrinar.
O silêncio é mais esclarecedor
que um fluxo de palavras.
Olhe para uma mãe com criança no colo.
O bebê sabe obter tudo o que quer
sem dizer ao menos uma palavra.
De fato, palavras devem ser
a embalagem dos pensamentos.
Não adianta fazer discursos muito longos
para expressar os sentimentos de seu coração.
Um olhar conta um pouco mais
que uma carreira de palavras.
É caracteristica das grandes mentes
fazer com que em poucas palavras
muitas coisas sejam ouvidas.
As mentes pequenas, acham que têm,
pelo contrário a concessão para falar,
e não dizer nada.
Falam bobagens, mas há aqueles
que sabem o que escutar para colher.
Se duas palavras só são necessárias dizer
-que eu gosto de você-,
todas as outras palavras que poderiam ser ditas
são supérfluas...
Sim e não são as palavras mais curtas
e fáceis de serem ditas mas são aquelas
que trazem as mais pesadas consequências.
Ser comedido em suas palavras não é um defeito
mas prova profunda sabedoria.
Aquele que fala muito quase nunca
tem sucesso para organizar as coisas.
Tendes antes a confundir..."
(Florian Bernard)
para serem descritas por palavras.
É necessário admirá-las em silêncio
e contemplação para apreciá-las
em toda sua plenitude.
É necessário tão poucas palavras
para exprimir a sua essência.
As grandes falas servem frequentemente
só confundir ou doutrinar.
O silêncio é mais esclarecedor
que um fluxo de palavras.
Olhe para uma mãe com criança no colo.
O bebê sabe obter tudo o que quer
sem dizer ao menos uma palavra.
De fato, palavras devem ser
a embalagem dos pensamentos.
Não adianta fazer discursos muito longos
para expressar os sentimentos de seu coração.
Um olhar conta um pouco mais
que uma carreira de palavras.
É caracteristica das grandes mentes
fazer com que em poucas palavras
muitas coisas sejam ouvidas.
As mentes pequenas, acham que têm,
pelo contrário a concessão para falar,
e não dizer nada.
Falam bobagens, mas há aqueles
que sabem o que escutar para colher.
Se duas palavras só são necessárias dizer
-que eu gosto de você-,
todas as outras palavras que poderiam ser ditas
são supérfluas...
Sim e não são as palavras mais curtas
e fáceis de serem ditas mas são aquelas
que trazem as mais pesadas consequências.
Ser comedido em suas palavras não é um defeito
mas prova profunda sabedoria.
Aquele que fala muito quase nunca
tem sucesso para organizar as coisas.
Tendes antes a confundir..."
(Florian Bernard)
JÁ GASTAMOS AS PALAVRAS
"Já gastamos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastamos tudo menos o silêncio.
Gastamos os olhos com o sal das lágrimas,
gastamos as mãos à força de as apertarmos,
gastamos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastamos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
(Eugénio de Andrade)
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastamos tudo menos o silêncio.
Gastamos os olhos com o sal das lágrimas,
gastamos as mãos à força de as apertarmos,
gastamos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastamos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
(Eugénio de Andrade)
REVELAÇÃO
"Quando chegaste,
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo - a não ser partires.
Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência,
fiquei eu, sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do último desencanto.
Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
o meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura
e a esperança sem rumo.
Começa a crer, por mim,
que o amor é possível,
e que a vida vale a pena
e o pranto de cada dia..."
(Lya Luft)
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo - a não ser partires.
Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência,
fiquei eu, sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do último desencanto.
Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
o meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura
e a esperança sem rumo.
Começa a crer, por mim,
que o amor é possível,
e que a vida vale a pena
e o pranto de cada dia..."
(Lya Luft)
EIS O QUE SOU...
"Um misto de fracasso e conquista,
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)
O QUE FAZER?
"O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?
Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?
Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?
Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?
O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?"
(Affonso Romano de Sant'Anna)
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?
Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?
Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?
Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?
O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?"
(Affonso Romano de Sant'Anna)
HOJE EU SOU...
"Hoje eu sou
Um cigano que foge da dor
Um oceano sem navegador
Hoje eu sou
Um fulano que a sorte marcou
Condenado a ser um sonhador
Hoje eu sou
De ninguém...
Eu nunca estive tao lucida,
tao em perfeito estado mental,
eu nunca estive tao bem.
Eu nunca entendi a frase,
ame a si mesmo,
antes de amar qualquer outra pessoa.
Mas agora sei o que significa:
Pra cuidar de alguém,
antes temos que cuidar de nos mesmos.
Hoje eu sou mais leve de alma
mais iluminada, mais feliz,
mais alegre E mais eu...
Depois que a tempestade passou,
em meio aos destrocos no mar,
eu encotrei o meu corpo,
eu encontrei a mim mesma,
navegando em oceanos profundos,
sem medo de naufragar.
Hoje eu jogo no mar, flores..."
(Verônica)
Um cigano que foge da dor
Um oceano sem navegador
Hoje eu sou
Um fulano que a sorte marcou
Condenado a ser um sonhador
Hoje eu sou
De ninguém...
Eu nunca estive tao lucida,
tao em perfeito estado mental,
eu nunca estive tao bem.
Eu nunca entendi a frase,
ame a si mesmo,
antes de amar qualquer outra pessoa.
Mas agora sei o que significa:
Pra cuidar de alguém,
antes temos que cuidar de nos mesmos.
Hoje eu sou mais leve de alma
mais iluminada, mais feliz,
mais alegre E mais eu...
Depois que a tempestade passou,
em meio aos destrocos no mar,
eu encotrei o meu corpo,
eu encontrei a mim mesma,
navegando em oceanos profundos,
sem medo de naufragar.
Hoje eu jogo no mar, flores..."
(Verônica)
ESSA MENINA...
"Essa menina que
Foge pelas tuas palavras
Pede colo.
Pede o colo que a distância
Não te deixa ter.
Vistas estas asas
Que embalam o teu corpo
E deixa-te perder por entre as nuvens
De sonhos e pensamentos,
Pois o cúmplice vento te colocará
Num galho alto onde a vista é bela
E eu trancei teu ninho...
Pois tu és,
Menina de todas as histórias.
Contos que o tempo não apaga,
Não acorda, não desperta.
Tu és a mais linda adormecida das crianças,
Da carruagem em forma de ferrari,
Dos castelos de argamassa e de azulejo colorido,
Dos cavalheiros de capacete, motocicleta,
Das bonecas de todas as vestes,
De trapo de seda,
Aos tecidos indianos de moleca..."
(Silvio Afonso)
Foge pelas tuas palavras
Pede colo.
Pede o colo que a distância
Não te deixa ter.
Vistas estas asas
Que embalam o teu corpo
E deixa-te perder por entre as nuvens
De sonhos e pensamentos,
Pois o cúmplice vento te colocará
Num galho alto onde a vista é bela
E eu trancei teu ninho...
Pois tu és,
Menina de todas as histórias.
Contos que o tempo não apaga,
Não acorda, não desperta.
Tu és a mais linda adormecida das crianças,
Da carruagem em forma de ferrari,
Dos castelos de argamassa e de azulejo colorido,
Dos cavalheiros de capacete, motocicleta,
Das bonecas de todas as vestes,
De trapo de seda,
Aos tecidos indianos de moleca..."
(Silvio Afonso)
REVERBERAÇÃO
"O destino trama os dias
e desfaz o sonho:
demarca meus contornos,
partes disso que sou e serei.
Quem sabe desejei demais:
milagres não me bastaram,
mas quando eu quis ser rainha
fui simplesmente humana.
A voz da vida insiste,
chama para o que salva
ou desatina:
nem sempre a entendi.
Palavras buscam sentido
para o que fiz, falhei,
conquistei e perdi
-ou que me abandonou-
nalguma esquina.
Talvez eu precisasse
é dos silêncios..."
(Lya Luft)
e desfaz o sonho:
demarca meus contornos,
partes disso que sou e serei.
Quem sabe desejei demais:
milagres não me bastaram,
mas quando eu quis ser rainha
fui simplesmente humana.
A voz da vida insiste,
chama para o que salva
ou desatina:
nem sempre a entendi.
Palavras buscam sentido
para o que fiz, falhei,
conquistei e perdi
-ou que me abandonou-
nalguma esquina.
Talvez eu precisasse
é dos silêncios..."
(Lya Luft)
O MEU PASSAPORTE
"O meu passaporte
São as tuas mãos;
O mapa que nos guia,
A respiração incerta do desejo.
-Por isso me perco-, dizes.
-Por isso te encontro-, respondo.
E a noite que nos separa
É o dia que nos reúne."
(Nuno Júdice)
São as tuas mãos;
O mapa que nos guia,
A respiração incerta do desejo.
-Por isso me perco-, dizes.
-Por isso te encontro-, respondo.
E a noite que nos separa
É o dia que nos reúne."
(Nuno Júdice)
PODE-SE...
"Pode-se ser tão sutil
quanto a um pássaro
quando dispõe de seu vôo viril.
Pode-se ser tão grandioso
quanto a uma nuvem desértica
perdida no azul-orgulhoso.
Pode-se ser tão rude
quanto a um peixe
quando capturado
ás margens de um açude.
Pode-ser ser o que quiser
desde que não intervenha
e não machuque
aquele que atrás vier..."
(Édyson Brandão)
quanto a um pássaro
quando dispõe de seu vôo viril.
Pode-se ser tão grandioso
quanto a uma nuvem desértica
perdida no azul-orgulhoso.
Pode-se ser tão rude
quanto a um peixe
quando capturado
ás margens de um açude.
Pode-ser ser o que quiser
desde que não intervenha
e não machuque
aquele que atrás vier..."
(Édyson Brandão)
SEMPRE A MESMA COISA...
"As pessoas estão doentes de tédio.
Estão cansadas de viver.
Em casa não lhes falta nada.
A mesa é farta.
Nenhum dia é "novo".
Tude se repete.
As paredes são impermeáveis,
sempre frias.
Nunca ouvem um barulho diferente.
As pessoas estão doentes de tédio.
Não contemplam as flores nem os pássaros.
Seus animais domésticos morreram,
como elas próprias.
Saem à noite, voltam ao amanhecer
e dormem enquanto brilha o sol.
Vão ao médico, ao neurologista, ao psiquiatra.
Sentem-se incômodas em sua própria pele.
Algumas pessoas irradiam luz.
Outras escurecem tudo..."
(Phil Bosmans)
Estão cansadas de viver.
Em casa não lhes falta nada.
A mesa é farta.
Nenhum dia é "novo".
Tude se repete.
As paredes são impermeáveis,
sempre frias.
Nunca ouvem um barulho diferente.
As pessoas estão doentes de tédio.
Não contemplam as flores nem os pássaros.
Seus animais domésticos morreram,
como elas próprias.
Saem à noite, voltam ao amanhecer
e dormem enquanto brilha o sol.
Vão ao médico, ao neurologista, ao psiquiatra.
Sentem-se incômodas em sua própria pele.
Algumas pessoas irradiam luz.
Outras escurecem tudo..."
(Phil Bosmans)
MINHA ALMA CIGANA
"Um pássaro que não quer ser aprisionado.
Assim é minha alma.
Que pousa onde encontra alento e amor.
Mas que precisa estar livre para voar
Se assim desejar.
Sou fiel aos meus sentimentos
E não aceito que me prove.
Quando amo sinto a intensidade do amor
Percorrer cada célula de meu corpo.
Minha alma que de tão transparente é lúcida.
Quero tão pouco dessa vida.
Quero fogueira para dançar.
Quero a lua e as estrelas
Compartilhando minha dança.
Quero a brisa da madrugada me envolvendo.
E quando os primeiros raios de sol nascer,
Ainda quero presa entre meus dedos
Uma taça de vinho seco.
Lanço a sorte a todos
E como recompensa recebo-a de volta.
Assim é minha alma cigana..."
(Cleo)
Assim é minha alma.
Que pousa onde encontra alento e amor.
Mas que precisa estar livre para voar
Se assim desejar.
Sou fiel aos meus sentimentos
E não aceito que me prove.
Quando amo sinto a intensidade do amor
Percorrer cada célula de meu corpo.
Minha alma que de tão transparente é lúcida.
Quero tão pouco dessa vida.
Quero fogueira para dançar.
Quero a lua e as estrelas
Compartilhando minha dança.
Quero a brisa da madrugada me envolvendo.
E quando os primeiros raios de sol nascer,
Ainda quero presa entre meus dedos
Uma taça de vinho seco.
Lanço a sorte a todos
E como recompensa recebo-a de volta.
Assim é minha alma cigana..."
(Cleo)
terça-feira, 17 de agosto de 2010
CANÇÃO DA ESTRELA MURMURANTE
"Nós nos amaremos docemente,
Nesta luz, neste encanto, neste medo:
Nós nos amaremos livremente
No dia marcado pelos deuses.
Nós nos amaremos com verdade
Porque estas almas já se conheciam:
nós nos amaremos para sempre
Além da concreta realidade.
Nós nos amaremos lindamente,
nós nos amaremos como poucos.
no teu tempo..."
(Lya Luft)
Nesta luz, neste encanto, neste medo:
Nós nos amaremos livremente
No dia marcado pelos deuses.
Nós nos amaremos com verdade
Porque estas almas já se conheciam:
nós nos amaremos para sempre
Além da concreta realidade.
Nós nos amaremos lindamente,
nós nos amaremos como poucos.
no teu tempo..."
(Lya Luft)
CANÇÃO DO MEU ABANDONO
"Não, depois de te amar não posso amar ninguém!
Que importa se as ruas estão cheias de mulheres
esbanjando beleza e promessa ao alcance da mão?
Se tu já não me queres
é funda e sem remédio a minha solidão.
Era tão fácil ser feliz quando tu estavas comigo!
Quantas vezes, sem motivo nenhum, ouvi o teu sorriso
rindo feliz, como um guiso em tua boca?
E todo momento
mesmo sem te beijar eu estava te beijando:
com as mãos, com os olhos, com os pensamentos,
numa ansiedade louca!
Nossos olhos, meu Deus! nossos olhos, os meus
nos teus, os teus nos meus,
se misturavam confundindo as cores
ansiosos como olhos que se diziam adeus...
Não era adeus, no entanto, o que estava em teus olhos
e nos meus, era êxtase, ventura, infinito langor,
era uma estranha, uma esquisita, uma ansiosa mistura
de ternura com ternura no mesmo olhar de amor!
Ainda ontem, cada instante era uma nova espera...
Deslumbramento, alegria exuberante e sem limite...
E de repente, de repente eu me sinto
triste como um velho muro cheio de hera
embora a luz do sol num delírio palpite!
Não, depois de te amar não posso amar ninguém!
Podia até morrer, se já não há belezas ignoradas
quando inteira te despi,
nem de alegrias incalculadas depois que te senti...
Depois de te amar assim,
como um deus, como um louco,
nada me bastará, e se tudo é tão pouco...
...eu devia morrer..."
(J.G. de Araujo Jorge)
Que importa se as ruas estão cheias de mulheres
esbanjando beleza e promessa ao alcance da mão?
Se tu já não me queres
é funda e sem remédio a minha solidão.
Era tão fácil ser feliz quando tu estavas comigo!
Quantas vezes, sem motivo nenhum, ouvi o teu sorriso
rindo feliz, como um guiso em tua boca?
E todo momento
mesmo sem te beijar eu estava te beijando:
com as mãos, com os olhos, com os pensamentos,
numa ansiedade louca!
Nossos olhos, meu Deus! nossos olhos, os meus
nos teus, os teus nos meus,
se misturavam confundindo as cores
ansiosos como olhos que se diziam adeus...
Não era adeus, no entanto, o que estava em teus olhos
e nos meus, era êxtase, ventura, infinito langor,
era uma estranha, uma esquisita, uma ansiosa mistura
de ternura com ternura no mesmo olhar de amor!
Ainda ontem, cada instante era uma nova espera...
Deslumbramento, alegria exuberante e sem limite...
E de repente, de repente eu me sinto
triste como um velho muro cheio de hera
embora a luz do sol num delírio palpite!
Não, depois de te amar não posso amar ninguém!
Podia até morrer, se já não há belezas ignoradas
quando inteira te despi,
nem de alegrias incalculadas depois que te senti...
Depois de te amar assim,
como um deus, como um louco,
nada me bastará, e se tudo é tão pouco...
...eu devia morrer..."
(J.G. de Araujo Jorge)
Assinar:
Postagens (Atom)