"Não preciso te conhecer pra dizer que te amo.
Seja lá quem você seja
és uma das faces do Ser no planeta.
Uma faceta que escorre
pelas gretas tentando safar-se.
Machuca. Machuca-se.
Dá murro em ponta de faca.
Bate cabeça. Dá as costas.
Enfrenta.
Não corre da raia. Tropeça.
Vai aos trancos e barrancos.
Luta para estar vivo. Aspira,
porque aspirar é da natureza de quem respira.
Te amo,
seja preto, branco, vermelho ou amarelo.
Sei que o elo vai além das considerações
e o que nos une transluz em batidas cardíacas,
em cadências e pulsares.
Pode, até, esconder-se nos confins da Terra,
mas não adianta, tua essência berra.
Não há nesga que não esteja contida,
que não seja acolhida
pelo sopro do amor.
Te amo e pronto!
Se queres o confronto,
se em alguma instância o desaponto,
põe um ponto.
Talvez reticências,
mas sempre existirá o nós.
Somos feitos de relações
e apesar de termos sentimentos que nos separam,
todos são um modo de amor que ainda não vingou.
Te amo
pela simples razão.
Por ser fato consumado.
Para além das estribeiras.
No entanto e sem intuito.
Fortuito ou arteiro.
Te amo árido,
cálido, falido, polido,
intransigente, receptivo.
Não importa o adjetivo.
Te enxergo coração noviço,
em reboliço para entender o que se passa.
Para entender que aonde há fumaça
o fogo principia.
E se há fogo, não haverá paz
enquanto não se permitir incendiar-se
pela paixão do espírito.
Te amo.
E por mais que disfarces,
por mais que se distraia
com púrpuras e brilhos
te vejo como a mais rara poesia.
Um capricho do Grande Espírito
ao povoar sua casa..."
(Rosam Cardoso)
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
CIÚME...
"Descobri que sou ciumenta!
não tenho ciúme de você
tenho ciúme de mim,
da minha sombra.
Ela me ofusca
e quando você passa, nada vê
só a ela.
Essa não sou eu
ela não te quer
ela não sabe sorri o meu sorriso
ela não sabe te olhar como meus olhos
ela não não sabe te ouvir como eu
ela não tem braços para te abraçar como eu
mas o que me deixa mais tranquila
é que ela não tem boca para dizer o que eu sinto
Ela nunca vai te conquistar!"
(Margareth Bárbara)
não tenho ciúme de você
tenho ciúme de mim,
da minha sombra.
Ela me ofusca
e quando você passa, nada vê
só a ela.
Essa não sou eu
ela não te quer
ela não sabe sorri o meu sorriso
ela não sabe te olhar como meus olhos
ela não não sabe te ouvir como eu
ela não tem braços para te abraçar como eu
mas o que me deixa mais tranquila
é que ela não tem boca para dizer o que eu sinto
Ela nunca vai te conquistar!"
(Margareth Bárbara)
terça-feira, 16 de novembro de 2010
UM DIA...
"Um dia,
quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços,
a tua pele será talvez demasiado bela
e a luz compreenderá
a impossível compreensão do amor.
Um dia,
quando a chuva secar na memória,
quando o inverno for tão distante,
quando o frio responder devagar
com a voz arrastada de um velho,
estarei contigo e cantarão pássaros
no parapeito da nossa janela,
sim, cantarão pássaros,
haverá flores,
mas nada disso será culpa minha,
porque eu acordarei nos teus braços
e não direi nem uma palavra,
nem o princípio de uma palavra,
para não estragar a perfeição da felicidade..."
(José Luís Peixoto)
quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços,
a tua pele será talvez demasiado bela
e a luz compreenderá
a impossível compreensão do amor.
Um dia,
quando a chuva secar na memória,
quando o inverno for tão distante,
quando o frio responder devagar
com a voz arrastada de um velho,
estarei contigo e cantarão pássaros
no parapeito da nossa janela,
sim, cantarão pássaros,
haverá flores,
mas nada disso será culpa minha,
porque eu acordarei nos teus braços
e não direi nem uma palavra,
nem o princípio de uma palavra,
para não estragar a perfeição da felicidade..."
(José Luís Peixoto)
domingo, 17 de outubro de 2010
QUANDO O AMOR VAI EMBORA...
"Quando o amor resolve partir
Geralmente ele não sabe pra onde ir
Ele também nunca deixa um recado
E segue por aí arrasado
Quando ele decide que chegou a sua hora
Não existe nenhuma história
Que consiga prendê-lo
Nenhuma lembrança que possa detê-lo
Nada que o faça ficar
Quando acontece do amor acabar
Não nos avisa se depois vai voltar
Não nos confidencia se vai reviver
Quando ele termina, só nos faz sofrer
Quando o amor desliza por entre os dedos
Cheio de medos
E não ouve os nossos apelos
É sinal que ele se atropelou
Se partiu e se quebrou
Quando o amor vai embora
Deixa uma chaga aberta no peito
Uma esperança de vê-lo refeito
E quando ele foge pra lugares distantes
Quando se perde por entre momentos intrigantes
Por entre frases decepcionantes
É sinal que ele ficou fraco
Que virou um farrapo
Amor de verdade tem que ter qualidade
Equilíbrio e quantidade
Tem que ter sinceridade
Pode ser passivo de estragos, mas com consertos
Pode esmorecer, mas tem que saber sobreviver
Quando o amor realmente vai embora
E com ele carrega um peso dos ombros
E consegue logo remover os escombros
É porque ele definitivamente acabou
Mas quando o amor vai embora
Alguma cicatriz ele deixou
Algum arrependimento
Alguma dor, algum lamento
E aí vem o tempo...
O grande companheiro
E faz parecer que nada foi verdadeiro
Cada dia que passa, cada ano que se vai
Carrega todas as lembranças
Carrega as tristezas e as desconfianças
E aí... tropeça-se em outro amor
Esquece que já se viveu tanta dor
Quando um amor vai embora
Significa que chegou a hora
De apagar o passado
Olhar pro lado... e recomeçar
Quem sabe um novo amor encontrar..."
(Silvana Duboc)
Geralmente ele não sabe pra onde ir
Ele também nunca deixa um recado
E segue por aí arrasado
Quando ele decide que chegou a sua hora
Não existe nenhuma história
Que consiga prendê-lo
Nenhuma lembrança que possa detê-lo
Nada que o faça ficar
Quando acontece do amor acabar
Não nos avisa se depois vai voltar
Não nos confidencia se vai reviver
Quando ele termina, só nos faz sofrer
Quando o amor desliza por entre os dedos
Cheio de medos
E não ouve os nossos apelos
É sinal que ele se atropelou
Se partiu e se quebrou
Quando o amor vai embora
Deixa uma chaga aberta no peito
Uma esperança de vê-lo refeito
E quando ele foge pra lugares distantes
Quando se perde por entre momentos intrigantes
Por entre frases decepcionantes
É sinal que ele ficou fraco
Que virou um farrapo
Amor de verdade tem que ter qualidade
Equilíbrio e quantidade
Tem que ter sinceridade
Pode ser passivo de estragos, mas com consertos
Pode esmorecer, mas tem que saber sobreviver
Quando o amor realmente vai embora
E com ele carrega um peso dos ombros
E consegue logo remover os escombros
É porque ele definitivamente acabou
Mas quando o amor vai embora
Alguma cicatriz ele deixou
Algum arrependimento
Alguma dor, algum lamento
E aí vem o tempo...
O grande companheiro
E faz parecer que nada foi verdadeiro
Cada dia que passa, cada ano que se vai
Carrega todas as lembranças
Carrega as tristezas e as desconfianças
E aí... tropeça-se em outro amor
Esquece que já se viveu tanta dor
Quando um amor vai embora
Significa que chegou a hora
De apagar o passado
Olhar pro lado... e recomeçar
Quem sabe um novo amor encontrar..."
(Silvana Duboc)
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
AMOR ADORMECIDO
"A vida é um eterno buscar
Buscar o possível em quem sabe o impossível
Impossível que instigar a ir mais longe
Mais longe fazer o que?
Buscar o que perdeu ?
Não, buscar o que é teu e que estava guardado
Guardado somente pra ti
Tu que viestes buscar o que nem sabia que já era teu
Por isso ele te reconheceu primeiro
E te contou quem era e o que fazia
Adormeceu te esperando, mas assim que te viu, despertou
E te lembrou que ele era teu, só teu
E que te esperou e muito mais esperaria
Até que que o teu buscar chegasse até ele...
Ele enfim te enlaçou e murmurou...
"Me leva contigo por que sou só teu desde sempre
Sou o teu amor,aquele que achavas perdido,
Mas eu só estava adormecido...
Esperando até que estivesses pronta pra mim..."
(Denise do Amaral)
Buscar o possível em quem sabe o impossível
Impossível que instigar a ir mais longe
Mais longe fazer o que?
Buscar o que perdeu ?
Não, buscar o que é teu e que estava guardado
Guardado somente pra ti
Tu que viestes buscar o que nem sabia que já era teu
Por isso ele te reconheceu primeiro
E te contou quem era e o que fazia
Adormeceu te esperando, mas assim que te viu, despertou
E te lembrou que ele era teu, só teu
E que te esperou e muito mais esperaria
Até que que o teu buscar chegasse até ele...
Ele enfim te enlaçou e murmurou...
"Me leva contigo por que sou só teu desde sempre
Sou o teu amor,aquele que achavas perdido,
Mas eu só estava adormecido...
Esperando até que estivesses pronta pra mim..."
(Denise do Amaral)
terça-feira, 12 de outubro de 2010
ÁPICE DO AMOR
"Ama-me com todas as urgências
Com toda a fome que as distâncias nos fizeram...
Ama-me com todos os defeitos
Com todas as verdades, que as mentiras negaram.
Ama-me do teu jeito, sem molduras, sem Verniz,
Em toda tua autenticidade.
Ama-me com ternura, com a força da sensualidade,
Com a razão e a loucura do amor.
Ama-me mesmo que para os outros seja sem nexo,
Nossa química não se explica,
s sente e multiplica...
Ama-me um tanto do que te amo
e saberá o que é o êxtase da felicidade..."
(Maxuel Scorpiano )
Com toda a fome que as distâncias nos fizeram...
Ama-me com todos os defeitos
Com todas as verdades, que as mentiras negaram.
Ama-me do teu jeito, sem molduras, sem Verniz,
Em toda tua autenticidade.
Ama-me com ternura, com a força da sensualidade,
Com a razão e a loucura do amor.
Ama-me mesmo que para os outros seja sem nexo,
Nossa química não se explica,
s sente e multiplica...
Ama-me um tanto do que te amo
e saberá o que é o êxtase da felicidade..."
(Maxuel Scorpiano )
QUERO ALGUÉM...
"Quero alguém...
que decifre as minhas músicas
Que desvende os meus segredos
E venere os meus mistérios
Alguém para estancar todo esse sangue
a sensualidade contida e esse desejo que verte
e não encontra calhas onde escoar
Quero que percorra meus sons com os dedos
Que adentre essas cavernas
Que descubra esses caminhos
Alguém que termine as minhas deixas
Que, a cada frase que irrita, me complete
E a cada poro que grita, me liberte
Quero bom dia e a vontade de querer o dia inteiro
Quero gosto e quero cheiro
Quero toque e quero pele
Mas não quero tudo assim, exposto
Eu quero em partes, em etapas
E também não quero parte
Eu quero alguém.
E quero inteiro..."
(Karol Felicio)
que decifre as minhas músicas
Que desvende os meus segredos
E venere os meus mistérios
Alguém para estancar todo esse sangue
a sensualidade contida e esse desejo que verte
e não encontra calhas onde escoar
Quero que percorra meus sons com os dedos
Que adentre essas cavernas
Que descubra esses caminhos
Alguém que termine as minhas deixas
Que, a cada frase que irrita, me complete
E a cada poro que grita, me liberte
Quero bom dia e a vontade de querer o dia inteiro
Quero gosto e quero cheiro
Quero toque e quero pele
Mas não quero tudo assim, exposto
Eu quero em partes, em etapas
E também não quero parte
Eu quero alguém.
E quero inteiro..."
(Karol Felicio)
CAMINHO
"Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora."
(Camilo Pessanha)
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora."
(Camilo Pessanha)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
MUITO ALÉM DO JARDIM
"Nosso amor morreu tao cedo
Durou o tempo exato da agonia,
Foi pro espaço muito além do jardim
Desafinou, quebrou o instrumento
Nosso amor não teve medo
Foi fulminante como um raio em noite, violento
Em tão pouco tempo e tão feliz quanto sim
Um desafio a mais ao sofrimento
Foi um tempo de um brilho intenso, embriagador
Justo quando eu me acliamatava o ar faltou
No instante em que acelerava, o sinal fechou
Peixe que fora d'água me escapou
No momento em que me sentava, o filme acabou
Foi como um edificio novo que desabou...
Foi como o incontrolavel fogo que se apagou
Foi novamente o tapa brutal da dor..."
(Sérgio Sampaio)
Durou o tempo exato da agonia,
Foi pro espaço muito além do jardim
Desafinou, quebrou o instrumento
Nosso amor não teve medo
Foi fulminante como um raio em noite, violento
Em tão pouco tempo e tão feliz quanto sim
Um desafio a mais ao sofrimento
Foi um tempo de um brilho intenso, embriagador
Justo quando eu me acliamatava o ar faltou
No instante em que acelerava, o sinal fechou
Peixe que fora d'água me escapou
No momento em que me sentava, o filme acabou
Foi como um edificio novo que desabou...
Foi como o incontrolavel fogo que se apagou
Foi novamente o tapa brutal da dor..."
(Sérgio Sampaio)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O SOM DO MUNDO
"Amo quando chega à madrugada,
E ouço o som da noite...
Sento na lua, quieta parada
Apenas ouvindo...
Ouço a respiração da terra,
O pulsar do coração do mundo.
É um som misterioso,
Tem algo de enigmático...
É o som do mundo!
Que dentro de mim faz eco
Som que me encanta, me instiga
Que me faz perguntas
E não possuo respostas.
E continuo assim quieta, parada
Quase sem respirar...
Esperando... Ouvindo...
O respirar da Terra,
O som do silêncio,
O som do mundo..."
(Bandys)
E ouço o som da noite...
Sento na lua, quieta parada
Apenas ouvindo...
Ouço a respiração da terra,
O pulsar do coração do mundo.
É um som misterioso,
Tem algo de enigmático...
É o som do mundo!
Que dentro de mim faz eco
Som que me encanta, me instiga
Que me faz perguntas
E não possuo respostas.
E continuo assim quieta, parada
Quase sem respirar...
Esperando... Ouvindo...
O respirar da Terra,
O som do silêncio,
O som do mundo..."
(Bandys)
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
DESENCANTO
"Tua silhueta ainda arranha minha retina.
Contigo ignorei o futuro
vislumbrei apenas o preciso;
—um blefe do destino—
Que seja!
Atravessei meus espinhos,
perdi todas as defesas.
Hoje, imune à dor -refém de mim,
lastimo a insistência da vida.
Poderia ser tudo maior.
Sim! Poderia!
Mas era preciso muito...
muito mais!
Nessa paixão sem amanhãs;
-réstia de luz- refletida
nessa taça de cristal trincada..."
(Ana Cristina Souto)
Contigo ignorei o futuro
vislumbrei apenas o preciso;
—um blefe do destino—
Que seja!
Atravessei meus espinhos,
perdi todas as defesas.
Hoje, imune à dor -refém de mim,
lastimo a insistência da vida.
Poderia ser tudo maior.
Sim! Poderia!
Mas era preciso muito...
muito mais!
Nessa paixão sem amanhãs;
-réstia de luz- refletida
nessa taça de cristal trincada..."
(Ana Cristina Souto)
EU SEI QUANDO TE AMO...
"Eu sei quando te amo:
é quando com teu corpo eu me confundo,
não apenas nesta mistura de massa e forma,
mas quando na tua alma eu me introduzo
e sinto que meu sangue corre em ti,
e tudo que é teu corpo não é
que um corpo meu que se alongou de mim.
Eu sei quando te amo:
é quando eu te apalpo e não te sinto,
e sinto que a mim mesmo então me abraço,
a mim que amo e sou um duplo,
eu mesmo e o corpo teu pulsando em mim..."
(Afonso Romano de Sant'ana)
é quando com teu corpo eu me confundo,
não apenas nesta mistura de massa e forma,
mas quando na tua alma eu me introduzo
e sinto que meu sangue corre em ti,
e tudo que é teu corpo não é
que um corpo meu que se alongou de mim.
Eu sei quando te amo:
é quando eu te apalpo e não te sinto,
e sinto que a mim mesmo então me abraço,
a mim que amo e sou um duplo,
eu mesmo e o corpo teu pulsando em mim..."
(Afonso Romano de Sant'ana)
O MEU CORPO...
"Meu corpo é a única coisa que tenho
que é nada.
E como suicida luto contra moinhos,
tempestades e solidão
que é tudo.
Escondo-me nesta armadura de ossos,
carne e vestimentas.
E espio a vastidão do mundo pelos buracos dos olhos
como quem espia lugares estranhos
infinitos perigosos.
Meu corpo é a única coisa que tenho
para carregar o pretexto da alma.
É magro, feio e escandaloso o corpo
mas é única coisa que tenho
para caminhar pelo tempo e pelos sertões.
Garantia não tenho
se o meu corpo é forte e frágil ao mesmo instante
se sujeito-me ao abismo,
ao chão, à poeira.
Se estou marcado para me tornar saudade
lembrança e fotografias.
E minha história não terá mais
um cavalo para montar
e serei uma estátua invisível no espaço.
Garantia não tenho de nada, nada.
Não levarei escondido no bolso
nenhuma semente, nenhum suspiro, nenhum gesto
Pois tudo é podre, condenável
consumível.
Só é garantido o mais difícil:
a miragem na imensidão,
o que se supõe ao longe,
o completo mistério para se chegar até lá
não se sabe com que corpo
não se sabe com que asas
não se sabe..."
(Nirton Venancio)
que é nada.
E como suicida luto contra moinhos,
tempestades e solidão
que é tudo.
Escondo-me nesta armadura de ossos,
carne e vestimentas.
E espio a vastidão do mundo pelos buracos dos olhos
como quem espia lugares estranhos
infinitos perigosos.
Meu corpo é a única coisa que tenho
para carregar o pretexto da alma.
É magro, feio e escandaloso o corpo
mas é única coisa que tenho
para caminhar pelo tempo e pelos sertões.
Garantia não tenho
se o meu corpo é forte e frágil ao mesmo instante
se sujeito-me ao abismo,
ao chão, à poeira.
Se estou marcado para me tornar saudade
lembrança e fotografias.
E minha história não terá mais
um cavalo para montar
e serei uma estátua invisível no espaço.
Garantia não tenho de nada, nada.
Não levarei escondido no bolso
nenhuma semente, nenhum suspiro, nenhum gesto
Pois tudo é podre, condenável
consumível.
Só é garantido o mais difícil:
a miragem na imensidão,
o que se supõe ao longe,
o completo mistério para se chegar até lá
não se sabe com que corpo
não se sabe com que asas
não se sabe..."
(Nirton Venancio)
EM CARNE VIVA...
"Desejo essa carne viva da vontade muita
que me esfola a pele.
Me entrego a esse desatino que arranca o couro
mas não cora a cara.
Aceito a tua recusa clara pros meus desvarios
que te exponho em versos.
Mas renego o pudor imposto que me afasta ardida
do abortado abraço.
Desfaço juras nunca feitas por falta de tempo
ou talvez cansaço.
Te caço me sentindo a presa que se rende fácil
ao que diz tua língua.
Me amasso nessa cama quente em que nada espero
por querer demais.
E me esfrego em versos indecentes excitando a noite
e pedindo mais..."
(Sheyla de Castilho)
que me esfola a pele.
Me entrego a esse desatino que arranca o couro
mas não cora a cara.
Aceito a tua recusa clara pros meus desvarios
que te exponho em versos.
Mas renego o pudor imposto que me afasta ardida
do abortado abraço.
Desfaço juras nunca feitas por falta de tempo
ou talvez cansaço.
Te caço me sentindo a presa que se rende fácil
ao que diz tua língua.
Me amasso nessa cama quente em que nada espero
por querer demais.
E me esfrego em versos indecentes excitando a noite
e pedindo mais..."
(Sheyla de Castilho)
sábado, 25 de setembro de 2010
NAS LÁGRIMAS DE DESPEDIDA...
"Já não tenho palavras
as últimas morreram no verão passado
e num funeral cheio de sinais
sinais de uma pontuação por conseguir
as palavras, no silencio, encontraram o seu lugar
a terra, o chão, que tanto pisei com avidez
e num cemitério desconhecido, distante dos olhares
lá estava eu com um sofrimento imaculado
a fazer o destino numa despedida sofrida.
Tudo agora é memória
guardada no ventre da imaginação
faltam-me as palavras que escreviam a lucidez
faltam-me as outras que escreviam esperança
faltam-me, sem que perceba, essa sensação
com que vibrava ao ler os teus passos
as tuas tormentas ou as brincadeiras perdidas
falta-me quase tudo, que tudo é o meu fim
que enterrou a alma dessa magia em desassossego.
Já não tenho palavras
roupagem do meu caminhar
agora sou, provavelmente, memória
que no tempo, aos poucos, também morrerá!"
(Paulo Afonso Ramos)
as últimas morreram no verão passado
e num funeral cheio de sinais
sinais de uma pontuação por conseguir
as palavras, no silencio, encontraram o seu lugar
a terra, o chão, que tanto pisei com avidez
e num cemitério desconhecido, distante dos olhares
lá estava eu com um sofrimento imaculado
a fazer o destino numa despedida sofrida.
Tudo agora é memória
guardada no ventre da imaginação
faltam-me as palavras que escreviam a lucidez
faltam-me as outras que escreviam esperança
faltam-me, sem que perceba, essa sensação
com que vibrava ao ler os teus passos
as tuas tormentas ou as brincadeiras perdidas
falta-me quase tudo, que tudo é o meu fim
que enterrou a alma dessa magia em desassossego.
Já não tenho palavras
roupagem do meu caminhar
agora sou, provavelmente, memória
que no tempo, aos poucos, também morrerá!"
(Paulo Afonso Ramos)
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