domingo, 15 de novembro de 2009

ODALISCA ANDRÓIDE

"Eu estou sempre aqui, olhando pela janela.
Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios.
Existe um biombo de ossos perto daqui.
Eu acho que estou meio sangrando.
Eu já sei, não precisa me dizer.
Eu sou um fragmento gótico.
Eu sou um castelo projetado.
Eu sou um slide no meio do deserto.
Eu sempre quis ser isso mesmo.
Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores,
e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica.
Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos
com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua,
gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação
de alguma coisa planetária.
Quando eu beijo eu improviso mundos molhados.
Aciono gametas guardados.
Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica.
Uma notícia de saturno esquecida,
uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado,
uma odalisca andróide que tinha uma grande dor,
que improvisou com restos de cinema e com seu amor,
um disco voador..."
(Fausto Fawcet)

7 comentários:

Helô Souza disse...

Já viste a maria betânia declamando este trecho? É estupendo!!! Acabei de descobri-lo e pesquisando... vim parar aqui no seu blog! Muito bom o seu espaço! voltarei!

Helô Souza disse...

Ah, o link: http://www.youtube.com/watch?v=0q_iKy-4sQQ

Anônimo disse...

Helô, és de Recife?

S Romani disse...

Acabei de descobrir esse poema e fiquei aos prantos feito uma criança... Fazia muito tempo que não ouvia e lia algo tão maravilhoso... Eu também escrevo poesia... infelizmente algo quase extinto nesse planeta sao os poetas. Obrigada!

S Romani disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
veu disse...

Lindo, fantástico!

Poesias de Cesar Moura disse...

Como não admirar a alma transcrita em poesia??? Bendita seja a mente do poeta por toda essa maravilha.