domingo, 24 de janeiro de 2010

NO CENTRO DO FOGO

"Entra devagar no centro do fogo
guarda para dias mais trémulos e inseguros
as perguntas, os medos, a dor
que sobra sempre do desejo...
Entra como quem morre no centro do fogo
e bebe a cinza que desenha os contornos da cama
onde os joelhos se despem do frio
que os prende à terra.
Entra como quem arde no centro do fogo
e deita na água do meu corpo
as sementes acesas no tempo
que por única herança terás de mim...
Entra devagar no centro do fogo
e lavra-me..."
(Alice Vieira)

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