quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A MORTE DE CADA DIA...

"A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo,
na minha extrema pulsão, na minha extrema-unção,
na minha extrema menção de acordar viva todo dia.
Há dores que sinceramente eu não resolvo,
sinceramente sucumbo...
Há nós que não dissolvo e me torno moribundo
de doer daquele corte do haver sangramento
e forte que vem no mesmo malote das coisas queridas,
vem dentro dos amores dentro das perdas
de coisas antes possuídas dentro das alegrias havidas.
Há porradas que não tem saída,
há um monte de "não era isso que eu queria".
Outro dia, acabei de morrer depois de uma crise
sobre o existencialismo do terceiro mundo,
ideologia e inflação...
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida,
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já tô ficando especialista em renascimento.
Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo,
ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo...
Não dá outra: tiro o chinelo... E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter nem zangada,
nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!"
(Elisa Lucinda)

Um comentário:

Aurea disse...

MUITO LINDO ESSE POEMA!!!CHEIO DE VERDADES,ADOREI!