quinta-feira, 13 de maio de 2010

ESSE ESTRANHO IDIOMA

"Poderia te falar das noites não dormidas
Em que a saudade ampara-me os olhos
Talvez devesse te dizer da sombra das palavras
Essas que se abrigam atônitas em meus dedos
Encarcerando as verdades que tanto nego
Quem sabe fosse preferível confessar
As vertigens que oculto entre as paredes
Quando é apenas teu nome pronunciado
Por quem sequer te sabe em mim.
Sim, falo-te desse ritual a que cede meu corpo
Antecedendo tua chegada, ainda que apenas memória
Porque continuo a te inventar em minha solidão
Indiferente aos letreiros de néon que estampam avisos
Denunciando a distância que meus olhos vendam
Como se a ausência ofuscasse as marcas delineadas
Deixadas pela ternura de apenas me desejares.
Talvez devesse te contar da calma que forjo
Quando me acorre a lembrança da tua voz
E num sorriso casual e frio, apago os tremores
E sei-me vil, ardil e dissimulada
Imolando as carícias que ajoelhadas pedem-me por ti
Suplicando alguma clemência, quiçá piedade
Mas não me movo, apática, finjo não entender
Letárgica, consumo-me entre a dor e o desamparo
Consumada pelo silêncio que me deste como caminho
Esse estranho idioma que ensinaste meus lábios a ler..."
(Fernanda Guimarães)

Um comentário:

Amor feito Poesia disse...

És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.

Cecilia Meireles

Beijos de coração prá coração!! M@ria